
Santo Odilo, Abade
(† 1409)
Santo Odilo de Clermont, menino ainda de quatro anos, era paralítico dos pés. Um dia, a empregada de casa, devendo fazer compras na cidade, levou consigo o pequeno.
Passando por uma igreja, deixou-o à porta e dele carinhosamente se despedindo, disse-lhe: "Fica aqui, e me espera, que daqui a pouco estarei de volta. Nossa Senhora vai tomar conta de ti".
A criança não esperou, e foi arrastando-se pela igreja a dentro até um altar que mostrava uma bela imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus nos braços. A muito custo, segurando-se pela toalha da mesa do altar, conseguiu levantar-se. Olhando para a estátua de Maria Santíssima, disse com toda a simplicidade infantil: "Minha mãe, ajuda-me ficar em pé". E, ó maravilha! Uma sensação estranha percorreu-lhe o corpo, e quando esforço fez, para se firmar nos pés, estes obedeceram e o menino pôde andar e se locomover à vontade. Sem esperar a empregada voltar, correu para casa e contou a todos como Maria Santíssima foi boa para ele. Desde aquela hora Odilo se conservou sempre muito devoto e grato a Santíssima Virgem.
Muito estudioso que era, adiantou-se bastante nas ciências que na escola lhe ensinavam. Tendo a idade própria, pediu admissão no célebre Mosteiro beneditino de Cluny, e das mãos do santo Abade Majolo recebeu o hábito da Ordem. Como Jovem religioso deu a todos o exemplo de prontidão exata na execução das ordens que se lhe dava, tanto nos estudos como nos afazeres domésticos. Sempre de bom humor, e bem disposto, serviço não havia, por mais humilde que fosse, que ele deixava de prestar com toda a humildade. Todos lhe conhecendo o preparo tanto científico como ascético, a comunidade em peso mostrou grande satisfação em aceitar a proposta de S. Majolo, quando este indicou Odilo como seu sucessor no cargo de abade.
Sessenta e cinco anos este governou a família beneditina de Cluny, mais pelo seu exemplo do que pelas ordens que havia de dar. Sempre o primeiro no ofício cultural, era ele o mais exato em observar as determinações da santa Regra, o mais paciente em aceitar e sofrer as contrariedades, o mais humilde em falar e agir.
Da ociosidade era inimigo implacável, e tempo não perdia com coisas inúteis. Era modelo de Superior. Figura imponente, já pela sua aparência incutia respeito. No seu semblante cheio e franco se revelavam a autoridade e a bondade.
Os bons e piedosos o amavam como a um pai; os tíbios e relaxados tinham-lhe medo. De tanta fama de sábio e santo gozava, que Papas e Bispos, Imperadores e Reis, o procuravam ou com ele se correspondiam.
Verdadeiro asceta que era, aplicava as mais pesadas penitências à sua própria pessoa. Castigava a sua carne pelo jejum, pelo cilício e pela oração noturna, com o intuito de a sujeitar ao doce jugo de Cristo. Diferente era no modo de tratar o seu próximo, para quem era a bondade em pessoa. Os pobres e os pecadores eram os que mais desfrutavam esta virtude do seu coração paternal. Em socorrer os necessitados conhecia limites. Mais de uma vez distribuiu todas as reservas de abastecimento do mosteiro aos famintos. Em 1030, quando a peste assolou o país, para poder prestar auxílio aos mais indigentes, vendeu os vasos sagrados de alto valor e nem poupou a preciosíssima coroa, que do imperador Henrique II de presente recebera. Como não achasse suficientes estes sacrifícios, foi em pessoa procurar aos príncipes e aos afortunados e pedir-lhes maiores subsídios. Aos seus pedidos emprestava a seguinte fórmula: "Uma vez que Cristo derramou o seu sangue para salvar-nos a nós, pobres e miseráveis, ao pobre não devemos deixar passar necessidade".
Em nada inferior ficou sua beneficência espiritual aplicada a pobres pecadores, que em suas aflições a ele recorriam. Só a Deus é conhecido o número desses infelizes, a quem abriu os tesouros da divina misericórdia. Quantos e quantas não foram os desventurados, que reconduziu ao caminho da virtude e da penitência, salvando assim suas almas para a eternidade.
Sendo ele mesmo homem de oração, muito se empenhou em elevar o espirito monástico-religioso no mosteiro de Cluny, e das suas filiais. Suas numerosas viagens, entre estas só 9 a Itália, seus encontros e suas relações com Papas, Imperadores (Othão III, Henrique II, Santo Conrado II e Henrique III), reis da França, da Hungria e Espanha, com Bispos, muito contribuíram para encaminhar a Reforma da Igreja e elevar a alto grau o prestígio da Ordem Beneditina. O número dos mosteiros sufragâneos de Cluny, de 37 se elevou a 65.
Grande foi a sua influência no estabelecimento da "trégua de Deus", no Sul da França e na Itália, isto é, da suspensão das hostilidades durante meia semana; e da "paz de Deus", que fazia cessar as rixas durante o advento e a quaresma.
Obra de Santo Odilo é a introdução na liturgia católica o dia de finados. Restrito primeiro à abadia de Cluny, rapidamente se generalizou em toda a Igreja (1030).
Pelo clero e o povo, eleito Arcebispo de Lion, como tal foi reconhecido e nomeado pelo Papa João XIX. Odilo formal e decididamente recusou este elevado cargo.
Na idade de 87 anos, em 31 de dezembro de 1048 terminou sua vida, tão rica de trabalho, virtude e santidade.
Reflexões
Para ganhar a glória do céu, Santo Odilo deu desprezo ao mundo e às suas vaidades, Renunciou o título de fidalgo, e a grande fortuna que lhe cabia por direito de herdeiro; para se garantir contra as seduções do mundo, pediu o hábito de S. Bento e procurou a solidão do claustro. Santificou-se por meio da mortificação, da oração, da recepção da SS. Eucaristia e das obras da caridade, confiante na promessa de Nosso Senhor: "Com a medida, que medirdes, vos será medido" (Lc. 6). Amigo dos pobres, das mãos dos necessitados se servia, para depositar seus bens no banco de Deus, sabendo que assim teria lucro cento por um, conforme disse Jesus: "Todo aquele que deixar a casa, os irmãos, ou as irmãs ou o pai ou a mãe, ou a mulher, ou os filhos ou as fazendas, por causa do meu nome, receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna" (Mat. 19).
Diariamente se consagrava à Maria Santíssima, a quem dirigia a seguinte oração, cheia de sentimento e fé: "Oh benigníssima Virgem e Mãe do Salvador de todos os tempos, quero ser vosso servo hoje e sempre. Sede minha auxiliadora e misericordiosa intercessora em tudo que interessa o bem de minha alma. Depois de Deus e fora de vós nada mais desejo. Vosso quero ser, disponde de mim como de vosso servo e de vossa propriedade".
Santos, cuja memória é celebrada hoje
S. Prisco, sacerdote do levita Prisciliano e de Santa Benedita, em Roma, decapitados por ordem do governo de Juliano, o Apóstata. Faleceu em 362.
Santa Dafrosa, Viúva e Mártir em Roma, esposa do prefeito e Mártir Fabiano e mãe de Santa Bibiana e Santa Demétria. Morto seu marido, foi exilada e decapitada sob o governo de Juliano. Faleceu em 362.
S. Mavilo, Mártir. Sofreu o martírio em Tunis, sendo atirado às feras. Faleceu em 212.
S. Rigoberto, Arcebispo de Rheims (França). Antes Abade de Orbais. Amante da disciplina e da justiça, energicamente se opôs às táticas abusivas de Carlos Martello, seu afilhado de batismo, na administração de bens eclesiásticos. Fol expulso do seu arcebispado e morreu no exílio no ano de 730.
S. Gregório Bispo de Langres (França). Antes senador de Autun, gozava da simpatia do povo por seu amor à justiça. Do seu matrimônio com Armentaria teve dois filhos: S. Tétrico, mais tarde Bispo de Langres, e Gregório, avô de São Gregório de Tours. Pela morte de sua esposa ordenou-se sacerdote e foi nomeado Bispo de Langres. Faleceu em 541. Padroeiro dos possessos, porque na sua vida há casos de cura de energumenos.
Referência: Na luz Perpétua, 5ª. ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico – Juiz de Fora – Minas Gerais, 1959.
Comemoração: 4 de janeiro.
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Santíssimo Nome de Jesus
O nome de Jesus é grande pelo que significa. O nome de Jesus foi posto por Maria e José, em obediência à ordem que lhe viera de Deus. Disse o Arcanjo a Maria: "Eis que conceberás e darás à luz um filho e pôr-lhe-ás o nome de Jesus". (Lc. 1, 31). A São José o Anjo disse: "Não temas receber Maria, tua mulher; porque o que nela se gerou, é obra do Espírito Santo. E dará à luz um filho, e por nome o chamarás Jesus". (Mt. 1, 20). – Ora, os nomes impostos a alguém por ordem de Deus significam sempre qualquer dom gratuito concedido pelo céu, assim como foi dado a Abraão. (Gen. 41, 51): "Serás chamado Abraão, porque te constitui pai de muita gente". A Pedro foi dado o nome significativo: "Tu és Pedra, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja". Porque a Cristo tinha sido conferido o dom da graça, pela qual todos seriam salvos, era conveniente que fosse chamado Jesus, isto é, "Salvador". (S. Tomás de Aquino).
Este nome adorável, que significa salvação, foi predito pelos profetas, que chamaram ao Messias "Emanuel" (Is. 7, 14.), isto é, Deus conosco, para assim designar "a causa da nossa salvação, que é a união da natureza divina com a humana, na pessoa do Filho de Deus que, como Deus, fica conosco, participando da nossa natureza". Chamaram-no (Is. 9, 6) "admirável, conselheiro, Deus forte, Pai do futuro século, Príncipe da paz", títulos estes que designam todos o "caminho e o fim da nossa salvação, sendo nós, pelo admirável conselho e pela virtude divina, conduzidos à herança do futuro século, em que gozaremos da paz perfeita dos filhos de Deus, sob a própria soberania de Deus". Chamaram-no: (Zac. 6, 12) "o homem, o nascituro", para exprimir todo o mistério da Encarnação". (S. Tomás).
O nome de Jesus é o nome próprio do Verbo encarnado; é o nome que nos relembra a maior das obras de Deus e o maior benefício que d'Ele nos veio. E como o benefício da Redenção é superior ao da Criação, assim o nome de Jesus vence em grandeza o próprio nome de Jeová, o Criador. O nome de Deus Redentor inclui o de Deus Criador, se bem que este não contenha aquele, pois a Redenção supõe a criação e a criação não encerra em si necessariamente a Redenção.
O nome de Jesus relembra-nos não só o Salvador e a salvação, que por Ele nos veio, mas também o modo admirável por que fomos salvos. Poderia salvar-nos por meio de uma só palavra, como por uma palavra só criou o mundo; mas quis tomar sobre si nossa enfermidade, para a curar e tirar os nossos pecados; quis encarnar-se, nascer num estábulo, viver pobre, sofrer, ser crucificado e morrer por nós. Levou a humildade e obediência até à morte, para assim merecer o nome de Jesus. Aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo – diz S. Paulo – "fazendo-se semelhante aos homens e sendo reconhecido pelo exterior como homem. Humilhou-se a si mesmo, feito obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou, e lhe deu um nome, que está acima de todo o nome. A fim de que ao nome de Jesus todo o joelho se dobre no céu, na terra e nos infernos; e toda a língua confesse que o Senhor Jesus Cristo. está na glória de Deus Padre". (Fil. 2, 7-11).
O nome de Jesus produz admiráveis efeitos naqueles que devotamente o invocam. Como os sacramentos não só significam a graça, mas também a produzem, assim o Nome de Jesus não só significa, mas também produz a salvação de quem devotamente o invoca.
"Todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo". (Joel, 2, 22; At. 2, 21; Rom. 10, 12). "Do céu abaixo, nenhum outro nome foi dado aos homens pelo qual nos cumpra fazer a nossa salvação". (Rom. 4, 12).
O Nome de Jesus, devotamente invocado, salva-nos do perigo de sermos vítima do inimigo infernal. Satanás tem um verdadeiro pavor deste Nome. "Os demônios têm medo deste Nome, que os faz tremer. E nós podemos afugentá-lo, invocando o Nome de Jesus crucificado". (S. Justino).
O Nome de Jesus dá vigor aos mártires e a todos os fiéis que lutam pela fé. Fá-los triunfar generosamente de todos os obstáculos, de todas as perseguições e da própria morte. O mundo, à semelhança do demônio, seu soberano, se agita ao ouvir o Nome de Jesus. Queria que não mais se pronunciasse este Nome e cheio de ódio, com o Sinédrio de Jerusalém, até hoje declara: "Ameacemo-los, para que daqui em diante não falem neste nome a homem nenhum". (At. 4, 17). Mas em virtude deste santo Nome os eleitos, para a confusão do mundo, operam verdadeiros milagres, segundo a profecia do próprio Salvador: "Em meu nome expulsarão os demônios, falarão novas línguas, manusearão as serpentes e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal; porão as mãos sobre os enfermos e serão curados". (Mc. 16, 17).
O nome de Jesus produz sempre o grande milagre de aplacar as mais furiosas tempestades na alma daqueles que o invocam devotamente. "Há entre vós alguém que se ache triste? Entre-lhe Jesus no coração e digam-no os lábios; e eis que, ao pronunciar este Nome, as nuvens se dissipam e volta a serenidade. Se entre vós houver quem tenha caído em falta grave e, deixando-se levar pelo desespero, nutrir ideias de suicídio: não voltará ao amor da vida, se invocar este nome da vida?" (S. Bern.)
Invoquemos, pois, o Santíssimo Nome de Jesus nas tentações, nas perseguições, na aflição. Invoquemo-lo sempre. "Por ele ofereçamos sempre a Deus um sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que lhe confessam o nome". (Hebr. 13, 15). "Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, tudo seja em nome do Senhor Jesus Cristo, rendendo graças por ele a Deus Padre". (Col. 3, 17). Pronunciemos muitas vezes em vida este Nome de salvação, para que o possamos pronunciar na morte, qual penhor seguro da felicidade eterna.
Reflexões
Santo Inácio, Mártir, cuja festa a Igreja celebra no dia 1 de fevereiro, tinha por costume pronunciar devotamente o nome de Jesus. Deste grande Santo da Igreja antiga conta-se o seguinte: Certa vez os Apóstolos disputavam entre si, qual seria o maior no reino dos céus. Cristo entrou com eles na cidade de Cafarnaum e chamou para junto de si um menino de quatro anos, tomou-o pela mão e disse aos Apóstolos: "Se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, não entrareis no reino dos céus". O tal menino, de nome Inácio, muitas vezes ainda procurou aquele lugar, onde Nosso Senhor o tinha chamado, beijava então o chão e dizia aos companheiros: "Foi aqui que Jesus me abraçou". Inácio cresceu, ordenou-se sacerdote e como Bispo, dirigiu a cidade de Antioquia, onde S. Pedro trabalhara durante sete anos. Quando o Imperador Trajano chegou a Antioquia e achou abandonados os templos dos deuses, perguntou no prefeito pelo motivo dessa estranhável circunstância. "O culpado é o bispo dos cristãos, Inácio", respondeu o prefeito. O santo ancião foi citado perante o imperador, que o recebeu com esta pergunta: "És tu o mau espírito, causador de tanta desordem nesta cidade?"
Inácio respondeu: "Não é espírito mau aquele que tem Deus no coração". O imperador: "É a Jesus de Nazaré que te referes?" O bispo respondeu afirmativamente e disse mais umas palavras de desaprovação do culto pagão. Trajano enfureceu-se e condenou Inácio "ad leones", a ser atirado aos leões no circo, Inácio foi levado para Roma, onde sofreu o martírio. Dois leões esfomeados esperavam impacientes a presa. Antes de ser triturado pelos dentes das feras, Inácio disse em voz alta uma oração e terminou com estas palavras: "O Nome de Jesus não desaparecerá dos meus lábios; se isto fosse possível, continuaria inextinguível em meu coração. Os leões mataram-no e comeram-no, deixando apenas ossos e o coração. O coração apresentava nitidamente os traços do nome de Jesus, formados por velas azuis. As preciosas relíquias foram levadas para Antioquia, onde os discípulos do mártir as depositaram sobre o altar. Isto aconteceu em 107. Deus honrou aquele Santo, devido à grande devoção que tinha ao SS. Nome de Jesus.
Referência: Na luz Perpétua, 5ª. ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico – Juiz de Fora – Minas Gerais, 1959.
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