Invenção da Santa Cruz

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Santo do dia 3 de maio
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Invenção da Santa Cruz

Invenção da Santa Cruz

No intuito de destruir por completo os vestígios da Sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor em Jerusalém, os pagãos erigiram no monte Calvário um templo de Venus e uma estátua de Júpiter. O Santo Sepulcro foi de tal maneira coberto de pedra e terra que não só se lhe tornou impossível o acesso, mas devia cair em esquecimento o lugar. Assim aconteceu. Quando, pelo advento do Cristianismo, no século quatro, o paganismo recebeu o golpe de morte, reviveu entre os católicos o desejo de verem os Santos Lugares restituídos à veneração pública. Reza uma piedosa lenda, que aliás fundo histórico não possui, que Santa Helena, a mãe do imperador, apesar dos seus oitenta anos, teria empreendido uma viagem a Jerusalém, com o propósito de envidar todos os esforços para descobrir o paradeiro do Santo Lenho. Os templos e estátuas pagãs ruíram por terra. Depois de longas e sérias pesquisas, foram iniciadas as obras do desaterro dos Santos Lugares, principalmente do Santo Sepulcro. Os trabalhos foram coroados de bom êxito. O Santo Sepulcro foi descoberto e nele se acharam três cruzes, das quais não restava dúvida de ser uma o verdadeiro Lenho. Difícil senão impossível era, porém, discriminá-lo, visto que os cravos e o título da cruz de Nosso Senhor se achavam separados.

Neste embaraço valeu muito o conselho de São Macário, Bispo de Jerusalém, de serem as três cruzes levadas à residência de uma matrona gravemente enferma. Assim se fez, e cada uma das três cruzes foi imposta à doente, a qual, pelo contato com o verdadeiro Lenho, imediatamente recuperou a saúde. Grande foi a alegria dos cristãos, em presença deste grande milagre. Santa Helena determinou a construção de um templo sobre o Santo Sepulcro.

Uma parte do Santo Lenho foi transportada para Constantinopla, onde o imperador a recebeu com grande veneração e respeito. Outra parte foi mandada para Roma e depositada num templo, que traz o nome de Santa Cruz de Jerusalém. Para lá seguiu também o título, com os dizeres: "Jesus Nazarenus, Rex Judaeorum ". Esta relíquia caiu em esquecimento, até que no ano de 1492, foi descoberta, dentro de uma caixa de chumbo. A inscrição é feita em língua hebraica, grega e latina. A tábua é de cor branca e traz as letras feitas com tinta vermelha. No estado em que se acha esta preciosa relíquia, só apresenta as palavras Nazarenus e Rex, sendo as outras apagadas. A terceira parte do Santo Lenho foi confiada ao Bispo São Macário, que a depositou na nova igreja, que Santa Helena mandara construir. Desde então começou o movimento extraordinário das peregrinações aos Santos Lugares.

São Cirilo, que depois da invenção da Santa Cruz foi Bispo de Jerusalém, pelo espaço de 25 anos, afirma, que apesar de terem sido cortadas milhares de partículas do Santo Lenho, nenhuma diminuição nele se verificava, comparando este fato extraordinário com o milagre da multiplicação dos pães entre 5.000 homens.

A Igreja de Jerusalém, que antigamente guardava a preciosa relíquia, é hoje chamada igreja do Santo Sepulcro ou da Ascensão, devido à circunstância da capela ereta sobre o verdadeiro Santo Sepulcro ter comunicação com a grande igreja construída sobre o monte Calvário.

Aos 12 de outubro de 1807 a maior parte da igreja foi destruída por incêndio. A capela do Santo Sepulcro queimou-se igualmente. O Santo Sepulcro, porém, ficou intacto, defendido por uma porta de madeira, que se conservou no meio das chamas, apesar da cúpula em chamas lhe ter caído em cima.

Das cinzas surgiu novo templo, cuja suntuosidade e riqueza não se comparam com a da primitiva igreja.

A festa da Invenção da Santa Cruz é antiquíssima na Igreja latina; data do século quinto ou sexto.

Invenção da Santa Cruz — S. Cirilo de Jerusalém, Ca. 10; Sulpicio Severo, Ambrosio, Crisóstomo, Rufino, Teodoreto, Sócrates e Sozomeno. Tillemont VII 5. Historicamente não se pode provar a Invenção da Santa Cruz por Santa Helena. A maior parte dos historiadores vê na invenção das três cruzes e na prova da distinção do Santo Lenho dos patíbulos dos dois ladrões pela imposição a uma mulher enferma uma piedosa lenda. Cf. Zahn I. 370.

Reflexões

1. Santa Helena procurou e achou o Santo Lenho. Muitos Santos procuraram a Cruz de Nosso Senhor e em preces ardentes pediram a Deus que os fizesse participar da Sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo. Se de tão alta virtude não nos sentimos capazes, pelo menos aceitemos a cruz, que Deus em sua bondade nos impõe e levemo-la com paciência e resignação. "Quem não tomar sua cruz e não me seguir, diz Nosso Senhor, não é digno de mim". (Mt. 10, 38). "Quem quer vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz de cada dia e siga-me". (Lc. 9, 23). É esta a lei, que foi dada a todos: Levar a cruz com paciência. Quem não se conformar com isto, nunca terá paz de espírito. Não é necessário possuirmos uma partícula do Santo Lenho, mas necessário é e indispensável, que sigamos Nosso Senhor no caminho da cruz.

2. Os judeus, os pagãos e hereges têm horror à cruz e odeiam-na. O católico deve amá-la e dar-lhe todo o respeito. A cruz é objeto de veneração, porque nela morreu aquele que nos deu a vida. É costume antiquíssimo dos católicos persignarem-se com a Cruz. É uma homenagem que fazemos a Nosso Senhor e uma defesa contra os inimigos. Persignemo-nos muitas vezes, principalmente de manhã, ao levantar, de noite ao deitar, antes e depois das refeições, antes e depois do trabalho, nas tentações e nos perigos.

Santos, cuja memória é celebrada hoje

Em Narni, o bispo confessor Juvenal. Era médico e natural de Cartago, 375. Na arte cristã é apresentado segurando com os dentes uma espada com que um pagão lhe queria atravessar a garganta.

Em Constantinopla, os mártires Alexandre e Antonina. O soldado Alexandre, para tirar Antonina do patíbulo, fê-la vestir o uniforme militar, facilitando assim a fuga. Ambos foram presos novamente, sujeitos a torturas desumanas. Finalmente foram-lhes cortadas as mãos e queimados vivos. 313.

No Egito, a memória dos mártires Timóteo e de sua jovem esposa Maura. Após cruéis tormentos, foram crucificados. 286.

Referência: Na luz Perpétua, 5ª. ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico – Juiz de Fora – Minas Gerais, 1959.

Comemoração: 3 de maio.

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