São Landelino

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Santos de julho

Santo do dia 18 de junho
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São Landelino

São Landelino, Abade

(† 686)

Se a penitência e a fé de um pobre pecador, pode ser grande, maior é a misericórdia divina, que é infinita, como prova a vida de S. Landelino.

Landelino, natural de Vaux (França), filho de pais nobres e ricos, recebeu uma educação esplêndida do santo bispo Auberto de Cambrai, a cujos cuidados fora confiado. O bispo, observando os belos progressos, que o discípulo fazia nas ciências e na virtude, aconselhou-o a que se dedicasse ao estudo da teologia, certo que no estado sacerdotal grande bem podia fazer pela salvação das almas. Landelino não se mostrou contrário a essa ideia. Os amigos e companheiros, porém, não concordando com esse plano, tudo fizeram para que desistisse da resolução de ser padre. Pintaram-lhe o futuro no mundo com tintas cor de rosa, mostrando-lhe a esplêndida expectativa que se lhe abria se quisesse fazer uso da sua grande fortuna. Por ocasião da despedida organizaram em sua honra um grande banquete, para o qual tinham convidado também pessoas do outro sexo. As horas passaram na mais franca alegria e depois do banquete, houve baile. Foi este baile o túmulo da vocação de Landelino. O coração emaranhou-se-lhe no cipoal inextricável da paixão, e com ela veio o enfadamento da oração e do estudo. Afigurando-se-lhe insuportável a vigilância do mestre, fugiu e começou uma vida dissoluta que terminou na miséria e no crime. Em pouco tempo tinha esbanjado o dinheiro, que estava em seu poder. Não querendo trabalhar e não tendo coragem de arcar com as privações da miséria, tornou-se ladrão e assassino.

Profunda dor ralou o coração do santo Bispo, ao ter notícias tão desoladoras do discípulo querido. Mais o preocupava a triste sorte da alma de Landelino e o grande perigo em que se achava, de perder-se eternamente. Em fervorosas orações e duras penitências, pediu a Deus a conversão do jovem seduzido. A oração não foi debalde. Landelino converteu-se, e de modo que não deixa desconhecer a obra da Divina Providência.

Landelino e os companheiros tinham assentado o plano de assaltar uma casa. Alta noite à hora combinada, todos reunidos, estavam prontos, para levar a efeito o sinistro intento. Um dos salteadores encostou a escada à casa e subiu. Mal tinha chegado em cima, quando foi acometido de um mal súbito e caiu morto. Os outros, tomados de pavor deitaram a fugir. Landelino, também profundamente abalado, pelo que presenciara, procurou a solidão de uma floresta, todo entregue aos mais tristes pensamentos. Fatigado, deitou-se e dormiu. No sono teve a aparição do Anjo da Guarda, que lhe dirigiu as seguintes palavras: "Pretendes ficar nessa má companhia? Se não voltares a teu Deus, tua sorte será a de teu companheiro, que morreu desastradamente. Se já não estás no fundo do inferno, deves unicamente às fervorosas orações de teu santo bispo, que pediu misericórdia por ti.

Landelino acordou muito impressionado, prometeu a Deus emenda de vida e no mesmo dia, sem dizer coisa alguma aos companheiros, procurou o bispo Auberto, lançou-se-lhe aos pés e pediu o aceitasse de novo em sua companhia. Auberto, vendo o discípulo Landelino em tão mísero e comovente estado, recebeu-o jubiloso, estreitou-o contra o peito, animou-o a confessar os pecados e fazer penitência.

O resto da vida de Landelino foi uma penitência ininterrupta. Jejuns revezavam com mortificações de toda a espécie. Pediu ao bispo licença de fazer uma peregrinação a Roma, para alcançar completo perdão dos pecados.

A lembrança das penas eternas do inferno fez com que pudesse ficar fiel ao espírito e a prática da penitência, até o fim da vida.

Vendo tamanha sinceridade e constância, o bispo Auberto não mais hesitou em conferir o sacramento da Ordem ao antigo discípulo e penitente. Landelino correspondeu perfeitamente à confiança do Prelado amigo e com palavra e exemplo, reconduziu muitos pecadores ao caminho da virtude.

Com permissão do bispo, retirou-se para a solidão, onde construiu celas para si e outras pessoas que, como ele e sob sua direção, quisessem levar uma vida de penitência. A afluência de noviços foi tão grande, que se impôs a necessidade da construção de quatro conventos (de Lobles, Aulne, Walers e St. Crispim) que tinham Landelino como Superior. Landelino morreu em 686 e Deus glorificou o túmulo de seu servo por numerosos milagres.

Reflexões

A meditação sobre o inferno causou em Landelino a conversão. A mesma meditação tem chamado muitos pecadores ao caminho da virtude e da santidade. A lembrança do inferno é de efeito salutar, para todos que lutam com dificuldade de conformar a vida à lei divina. O inferno existe e sua existência é tão certa e tão necessária, como o céu é certo e necessário. A palavra clara de Jesus Cristo não permite a menor dúvida sobre o inferno, sua existência e suas penas. Não nos deixemos enganar pela doutrina de religiões novas e cômodas, que julgam a existência do inferno incompatível com a misericórdia de Deus. Demos crédito Aquele que diz: "Céu e terra passarão, mas as minhas palavras não passarão", e: "não tenhais medo daqueles que podem matar o corpo, e, morto o corpo, nada lhes resta a fazer. Temei antes aquele que pode precipitar corpo e alma ao inferno. Deste deveis ter medo". (Mt. 10, 28).

Santos, cuja memória é celebrada hoje

Em Roma, na Via Ardeatina, a morte dos mártires Marco e Marcelino, irmãos na carne e na fé. Seu martírio teve lugar na perseguição diocleciana.

Em Malaga, na Espanha, S. Ciríaco e Santa Paula. Ambos foram apedrejados no ano 305.

Em Alexandria, o martírio de Santa Marina.

Referência: Na luz Perpétua, 5ª. ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico – Juiz de Fora – Minas Gerais, 1959.

Comemoração: 18 de junho.

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