Santo de 13 de abril

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Santo Hermenegildo

Santo Hermenegildo, Mártir

(† H)

No ano de 568 era rei da Espanha Leovigildo, que professava a religião ariana. Os filhos, Hermenegildo e Recaredo, foram educados na mesma religião. Hermenegildo recebeu a coroa de Sevilha, quando Recaredo ficou em Toledo. Pouco tempo depois de ter subido ao trono, Hermenegildo se casou com Ingonda, princesa da Austrásia, filha do rei Segeberto e conhecida como católica fervorosíssima. Tendo Leovigildo perdido a primeira esposa Teodósia, contraiu matrimônio com Goswinda, a qual parecia ter feito voto de empreender todos os meios para ganhar Ingonda à heresia ariana. Nada conseguiu, porém Ingonda teve a grande satisfação de converter o marido ao catolicismo. A cerimônia da abjuração do rei na Igreja Católica realizou-se com a máxima imponência, na presença do Bispo de Sevilha, S. Leandro.

A conversão de Hermenegildo desgostou sobremodo ao pai, o qual o ameaçou com a destronização, caso não voltasse imediatamente à fé ariana. Hermenegildo, com respeito, mas com franqueza, respondeu ao pai que, na perplexidade em que se achava, vendo-se entre duas obrigações, de obedecer a Deus ou ao pai, preferia perder a coroa, a renegar a fé. O pai realizou a ameaça e com grande exército, marchou contra Sevilha, a qual, se rendeu depois de uma resistência de um ano. Hermenegildo fugiu. Não achando bom acolhimento da parte dos legionários romanos, dirigiu-se a Córdova por último a Osseto, cidade bem fortificada, que parecia poder oferecer-lhe abrigo seguro. Com trezentos homens dedicados e valentes, pensou poder resistir aos ataques das forças inimigas. Breve, porém, se convenceu da inutilidade de opôr-se a forças muito mais numerosas. Vendo a cidade invadida pelos soldados do pai, retirou-se para dentro de uma igreja, esperando que este, respeitando o santo lugar, o tratasse com clemência paternal. Um irmão mais novo, procurou-o lançou-se-lhe ao pescoço e, com a voz entrecortada de soluços, pediu-lhe que fizesse as pazes com o pai, de quem podia seguramente esperar o perdão. Hermenegildo, aceitando o conselho do irmãozinho, esperou o pai, que não tardou a aparecer. Para mostrar boa vontade, o filho ajoelhou-se diante do progenitor e pediu perdão. A tudo isto o pai mostrou muito agrado e convidou Hermenegildo a acompanhá-lo até o acampamento. Lá chegando, mudou de atitude. Deu ordem para que o filho fosse despojado de todos os adornos reais, mandou pôr-lhe algemas nos pés e metê-lo na masmorra. O tratamento que lhe dispensaram, foi de um criminoso.

Hermenegildo não se entregou, entretanto, ao desânimo. Firme na fé, pôs toda confiança em Deus, a quem de boa vontade sacrificou tudo o que o prendia a este mundo. Por diversas vezes lhe foi oferecido o perdão e prometida a liberdade, com a reabilitação completa, com a condição, porém, de abandonar a doutrina da Igreja Católica. Hermenegildo respondeu que preferiria perder o agrado do pai, a sacrificar a graça divina; que antes queria morrer, do que abandonar a religião. "Não me custa renunciar a uma coroa terrestre, quando tenho garantida a eterna". Com estas palavras, despediu o bispo ariano, que, por ordem de Leovigildo, se tinha oferecido ao jovem príncipe para lhe dar a comunhão pascal. O pai, sabendo de que modo Hermenegildo tinha respondido ao prelado, foi tomado de tanta ira, que resolveu a morte do filho. Algozes foram mandados ao cárcere, para que comunicassem a este a sentença. Hermenegildo, recebendo tal recado, caiu de joelhos deu graças a Deus e recomendou a alma ao Criador. Um dos algozes, com um golpe de espada na cabeça, prostrou-o sem vida.

Praticado o crime, Leovigildo sentiu-se perseguido por crudelíssimos remorsos e sinceramente se arrependeu desse procedimento. Na última doença, pediu ao Bispo São Leandro, que instruísse na doutrina católica ao príncipe Recaredo, irmão de Hermenegildo. Ele mesmo, apesar de ter reconhecido a verdade da Religião Católica, não se sentiu com coragem de abjurar os erros do Arianismo, não se sabendo os motivos que o retiveram na heresia. O martírio de Santo Hermenegildo produziu belíssimos frutos. Poucos anos depois, a nação toda, abandonando o Arianismo, se converteu à Religião Católica.

Reflexões

Ingonda, a piedosa mulher de Hermenegildo, conseguiu que o esposo que era ariano, pouco a pouco se tornasse amigo do catolicismo, se convertesse e morresse na religião verdadeira. Hermenegildo deveu, pois, a salvação à graça de Deus e à esposa. Quanto bem não pode fazer uma piedosa esposa! Como é bonito os cônjuges se animarem mutuamente na prática do bem! Que tristeza, porém, se um afasta o outro do bom caminho, o incita a praticar o mal e o leva à perdição eterna! Católicos, casados com acatólicos, devem envidar todos os esforços para conduzir o cônjuge à verdade da fé católica. É indispensável, porém, que deem bom exemplo, na prática das virtudes cristãs, que tenham uma conduta irrepreensível. Antes de tudo é necessário que conheçam bem a doutrina católica e nela estejam bem firmes. Aos seus esforços e à prática das virtudes deve aliar-se a oração, a oração contínua e fervorosa, para que Deus dê à outra parte a luz e coragem necessária, para realizar a conversão.

Santos, cuja memória é celebrada hoje

Em Pergamo, na Ásia Menor, morreram mártires pela fé, S. Carpo, bispo de Tiatira, o diácono Papilo e sua irmã Agatonica, com muitos outros cristãos, vítimas todos da perseguição de Marco Aurélio. Vero.

Em Ravena, o santo bispo-confessor Urso.

Referência: Na luz Perpétua, 5ª. ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico – Juiz de Fora – Minas Gerais, 1959.

Comemoração: 13 de abril.

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