Santos Vito, Modesto e Crescência

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Santos de julho

Santo do dia 15 de junho
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Santos Vito, Modesto e Crescência

Santos Vito, Modesto e Crescência, Mártires

(† 303)

São Vito, filho de nobre família pagã da Sicília, viu a luz do mundo em Mazara, onde nasceu pelos fins do século terceiro. Bem cedo o pai, Hilas, o confiou aos cuidados de Modesto e Crescência, casal cristão de muita virtude. Como era costume dos pagãos ricos, não cuidavam da educação dos filhos, tarefa que cabia aos escravos. Modesto e Crescência tomaram muito a sério a educação da criança, cuidando, porém, muito mais da parte espiritual, do que da material. Clandestinamente o levaram ao oratório, para que recebesse o batismo das mãos do sacerdote. Logo após as cerimônias sacramentais, Crescência tomou nos braços o pequeno entesinho, beijou-o carinhosamente e disse "Agora, Senhor, meu Deus, dai a vossa bênção a esta criancinha, para que ela cresça na fé que hoje recebeu, e se torne digna de entrar no vosso reino, que lhe prometestes". Sob a vigilância e o carinho verdadeiramente paternais de Modesto e de sua mulher, Vito cresceu e junto com o desenvolvimento físico e intelectual, formavam-se-lhe no coração as virtudes cristãs mais preciosas. Vito contava doze anos apenas e já era um cristão perfeito, de que Deus se servia para coisas extraordinárias. Não era possível que o pai ficasse na ignorância, desconhecendo as condições em que vivia o filho e, sendo inimigo rancoroso da religião cristã, era de esperar que o ódio se lhe estendesse também a Vito, principalmente depois de ver frustradas todas as tentativas no sentido de fazê-lo abjurar a fé cristã e prestar homenagem às divindades. Vito opôs à ira do pai uma mansidão imperturbável e dizia: "Meu pai! Porque não quer conhecer e adorar Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo? Ele é o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo. Para nos salvar e fazer-nos felizes eternamente, morreu numa cruz; não há nada no mundo, que possa tirar do meu coração o amor que Lhe tenho". Essas palavras, em vez de abrandarem a ira do pai, excitaram-na mais ainda. Hilas tanto se esqueceu da dignidade de pai, que chegou a maltratar barbaramente o filho. Vendo, entretanto, que nada conseguia, entregou-o ao governador Valeriano, para que tomasse as providências, que a lei exigia.

Valeriano recorreu a todos os meios, para levar Vito à apostasia. Por fim empregou a força bruta e ordenou que o jovem fosse açoitado. Quando, porém, os verdugos levantaram as vergastas, para executar a ordem recebida, paralisaram-lhes os braços e as mãos, bem como as de Valeriano. Este embora supondo que se tratasse de um embuste, pediu a intervenção de Vito. Vito fez o sinal da cruz sobre os membros imobilizados e curou-os. O governador entregou-o novamente ao pai, não deixando faltar recomendações a este, para que insistisse com Vito, visto que se tratava da honra dos deuses e do prestígio das ordens imperiais.

Hilas mudou então de tática para com o filho e cumulou-o de atenções, prodigalizando-lhe toda a sorte de prazeres. Não se pejou de assalariar mulheres depravadas, para que o tentassem de todas as maneiras. Um dia o conduziu a um rico salão e, retirando-se inesperadamente fechou a porta à chave. Vito, olhando em redor, já não se via só. Mais depressa do que podia pensar, viu-se rodeado de raparigas cinicamente vestidas, a convidá-lo para entregar-se a ações vergonhosas. Vito apavorado, caiu de joelhos e implorou o auxílio do céu. No mesmo momento uma claridade admirável encheu o salão, e ao lado do jovem apareceu um Anjo do Senhor. As mulheres não mais se atreveram a dar um passo adiante. Hilas, que se colocara do lado de fora, observando, por uma fresta da porta, a cena que se desenrolava no salão, sentiu uma dor agudíssima na vista, que o fez gritar desesperadamente. Vito fez o sinal da Cruz sobre a vista do progenitor, que no mesmo instante se viu livre do tormento. Nem assim o pai mudou a atitude perversa. Tendo o filho por feiticeiro, inventou e aplicou-lhe novas crueldades.

Modesto e Crescência, por um aviso do céu, conceberam a ideia de proporcionar a Vito a possibilidade de livrar-se do pai, pela fuga. Embarcaram com ele num navio, que os levou ao reino de Nápoles. Se lá se julgavam seguros, foi triste engano. A piedade, o modo de viver, fé profunda e não em último lugar, o dom de milagres, que Deus lhes dera, chamaram a atenção dos pagãos, que os denunciaram. Veio ordem imperial de prisão, e tiveram de responder ao tribunal do juiz pagão. Os processos foram os mesmos: primeiro louvaminhas, promessas mil, para fazê-los abandonar a religião proibida; depois ameaças, cárcere e aplicação de torturas bárbaras. Os Santos enchiam a prisão de orações e cânticos de louvor Deus.

Afinal foram condenados à luta com as feras. O próprio imperador quis presenciar a cena e, vendo-os entrar na arena, disse-lhes: "Quero ver se vosso Deus é capaz de livrar-vos das minhas mãos". Vito respondeu: "Tua fúria deixa-me calmo. Pela graça de Jesus Cristo, recebemos o espírito da simplicidade e somos mansos como uma pomba; também Ele, nosso modelo, nosso Mestre foi manso. Aqueles que querem ser seus discípulos, devem, como Ele, ser mansos e humildes. Mansidão e paciência dá àqueles, que se lhe dedicam. Fortalecidos por Ele, são como cordeiros no meio dos lobos. Ele é o pastor bom e onipotente, de cujas mãos ninguém arrebatará uma só ovelha. Não desejo viver por mais tempo; mas tenho um pressentimento, que me diz que o Pastor supremo me protegerá contra o furor dos teus leões".

O imperador deu ordem para que fosse solto o leão mais vigoroso. Apareceu a fera e aconteceu o que ninguém esperava. Em vez de se atirar furioso sobre as pobres vítimas, acercou-se-lhes mansamente e deitou-se-lhes aos pés. Mais fera que o próprio leão, mostrou-se o tirano. Ordenou que os três mártires fossem despidos e metidos em um banho de piche e chumbo derretido. Como os três mancebos na fornalha de Babilônia, entoaram cânticos de louvor a Deus e, como eles, incólumes saíram. Os verdugos então se precipitaram sobre eles e com requintada crueldade lhes rasgaram as carnes. No meio destes tormentos indizíveis, clamaram ao céu, dizendo: "Ó Deus, livrai-nos pelo poder de vosso nome." E eis que um Anjo do Senhor veio livrá-los das mãos dos perseguidores. Deus aceitou-lhes o sacrifício e recebeu-os no seu reino glorioso. Uma piedosa mulher, Florência, enterrou os corpos dos mártires, cuja morte ocorreu no ano de 303 aproximadamente.

As relíquias de São Vito estão guardadas na magnífica Catedral de seu nome em Praga. São Vito é um dos 14 Santos Auxiliares e invocado nos casos de epilepsia, e de coréa (dansa de S. Vito).

Reflexões

S. Vito teve ótimos instrutores nas pessoas de Modesto e Crescência, quando Hilas, seu pai, tudo fez para afastá-lo da religião. Pais que querem educar bem os filhos, devem dar-lhes sólida instrução sobre as verdades principais da religião. Não merecem o título honroso de pais, aqueles que por preguiça ou por falsa vergonha, não cumprem esse dever. Ninguém melhor do que eles estão em condições de, em linguagem apropriada, falar-lhes de Deus, que é o Senhor do céu e da terra; de Deus que a todos dá a vida e a conserva; de Deus que é santo e quer que os homens sejam santos; de Deus, que recompensa os bons e castiga os maus; de Deus que é todo-poderoso, oniciente e está presente em todo lugar; de Deus, a quem nós todos devemos amar e servir, para receber a glória eterna. Ensinar aos filhos estas grandes verdades, é prepará-los para a luta, que os espera. As verdades da religião, uma vez gravadas no coração da criança, dão-lhe uma direção firme para toda a vida, serão sua alegria, ou sustentáculo e consolo. Lastimáveis os filhos, cujos pais os deixaram na ignorância das verdades principais da religião.

Santos, cuja memória é celebrada hoje

Em Silistria, na Rumânia, o soldado Santo Hesíquio, que deu seu sangue ela fé no tempo do governador Máximo. 953.

Em Córdoba, na Espanha, a mártir Santa Benildes nas guerras turcas.

Em Palmira, na Síria, a memória das irmãs Líbia e Leonis, e de Santa Dutrópia, menina de doze anos, vítima da perseguição diocleciana.

Em Pibrac, na França, a pastora Santa Germana Cousin. Doente desde pequena, sofria com paciência os maus tratos de uma madrasta sem consciência. Morreu na idade de 22 anos em 1601.

Referência: Na luz Perpétua, 5ª. ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico – Juiz de Fora – Minas Gerais, 1959.

Comemoração: 15 de junho.

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