
Da confiança no patrocínio de Maria Santíssima
Qui me invenerit, inveniet vitam, et hauriet salutem a Domino – “Aquele que me achar, achará a vida, e terá do Senhor a salvação” (Pv 8, 35)
Sumário. Quantas graças devemos dar à bondade divina por nos ter dado Maria por advogada! Ela é tão poderosa, que os seus rogos são sempre atendidos. Ela é também tão piedosa, que não sabe negar o seu socorro a quem quer que a invoque. Mais, nossa boa Mãe vai em busca dos miseráveis, a fim de os ajudar; pois mais desejo ela tem de nos fazer bem, que nós de o receber. Ai de nós, se nos viéssemos a perder! O patrocínio poderoso da Virgem seria no inferno um dos nossos tormentos mais graves, lembrando-nos que possuíamos um meio tão eficaz de salvação e não soubemos aproveitá-lo.
I. Meu irmão, quando nos sentirmos culpados perante a justiça divina e já como que condenados ao inferno por causa dos nossos pecados, não nos entreguemos à desesperação; recorramos a Maria, refugiemo-nos debaixo de seu manto, e ela nos salvará. Tomemos a resolução de mudarmos de vida; tenhamos boa vontade e grande confiança no patrocínio de Maria e seremos salvos, porquanto ela é uma advogada poderosa e uma advogada piedosa.
Maria é uma advogada poderosa, porque, na palavra de Santo Antônio, sendo ela Mãe de Deus, os seus pedidos são para Jesus Cristo como outras tantas ordens, e é impossível que não sejam deferidos. Nem é somente uma advogada poderosa, mas, como se exprime Ricardo de São Lourenço, toda-poderosa; pois que é justo que a Mãe participe do poder do Filho; que é todo poderoso por natureza, fez a Mãe toda-poderosa pela graça; quer dizer que obtém tudo o que pede. — Por isso, São Gregório de Nicomedia, dirigindo-se à Virgem, diz: Ó Mãe de Deus, vós sois invencível e nada pode resistir ao vosso poder: já que o Criador considera a vossa glória como se fosse a sua própria.
Maria é também uma advogada piedosa, de modo que não sabe recusar o seu patrocínio a quem quer que a ela recorra. Eis porque o Espírito Santo a compara à oliveira: Quasi oliva speciosa in campis (1) – “Qual oliveira especiosa nos campos”. Porque, assim como da oliveira não sai senão azeite, símbolo da piedade, assim as mãos de Maria não podem derramar senão graças e misericórdias, que ela dispensa a todos que se socorrem de seu patrocínio. Ela mesma vai à procura dos miseráveis, e mais desejo tem de nos fazer bem, do que nós de o receber. Quando São Boaventura contemplava em espírito à divina Mãe, parecia-lhe ver a própria misericórdia. Que graças não devemos, pois, render à bondade do nosso Deus, por nos ter dado uma advogada tão poderosa e piedosa!
II. Quando a divina Mãe apareceu um dia a Santa Brígida e lhe falou de sua misericórdia para com os pecadores, disse:
“É para lastimar, e sê-lo-á eternamente aquele que, podendo em vida recomendar-se a mim, que sou tão benigna, para sua desgraça não recorre a mim e se condena”
— Grande Deus! Se nos condenássemos, qual não seria a nossa pena no inferno, ao pensar que nos podíamos salvar tão facilmente, recorrendo a Maria, mas que não o fizemos e em toda a eternidade não o poderemos mais fazer? Para que não nos suceda tamanha desgraça, avivemos hoje a nossa devoção e coloquemo-nos novamente debaixo do patrocínio desta grande advogada.
Vejo, ó minha Mãe santíssima, as graças que me tendes alcançado e a ingratidão com que vos hei respondido. O ingrato é indigno de novos benefícios; contudo não perco por isso a confiança na vossa misericórdia. Ó minha poderosa Advogada, tende compaixão de mim. Vós sois a dispensadora de todas as graças que Deus nos concede, a nós, miseráveis; Ele vos fez tão poderosa, tão rica e tão piedosa, para que nos socorrais! Quero salvar-me. Nas vossas mãos entrego a minha salvação eterna, confio-vos o cuidado da minha alma. Quero ser inscrito no número dos vossos servos mais dedicados; não me repilais de vós. Andais à procura dos desgraçados para os socorrer; não abandoneis então um pobre pecador que a vós recorre.
Falai em meu favor; vosso Filho faz tudo o que Lhe pedis. Tomai-me sob a vossa proteção; porque, se vós me protegeis, não temo coisa alguma; não temo os meus pecados, porque me obtereis de Deus o perdão; não temo o demônio, porque sois mais poderosa do que todo o inferno; não temo enfim nem ao próprio Jesus, meu Juiz, porque basta uma oração vossa para aplacá-lo. Protegei-me, pois, ó minha Mãe, e alcançai-me o perdão dos meus pecados, o amor de Jesus, a santa perseverança, uma boa morte, e finalmente o paraíso. Verdade é que não mereço estas graças, mas, se as pedis para mim ao Senhor, ser-me-ão concedidas. Rogai, pois, a Jesus por mim. Ó Maria, minha Rainha, em vós confio, nesta esperança vivo, nela repouso, com ela desejo morrer. Amém.
(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III: Desde a Décima Segunda Semana depois de Pentecostes até o fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 277-280)
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Da gratidão para com as dores de Maria Santíssima
Honora patrem tuum: et gemitus matris tuae ne obliviscaris – “Honra a teu pai e não te esqueças dos gemidos de tua mãe” (Ecle 7, 29)
Sumário. Posto que a morte de Jesus Cristo fosse suficiente para remir uma infinidade de mundos, quis todavia a Santíssima Virgem, pelo amor que nos tem, cooperar para a nossa salvação, preferindo sofrer toda espécie de dores a ver nossas almas sem redenção e na antiga perdição. É nosso dever respondermos a tamanho amor da Rainha dos Mártires, ao menos pela compaixão de suas dores e pela imitação de seus exemplos. I. São Boaventura, contemplando a divina Mãe ao pé da Cruz para assistir à morte de seu Filho, volve-se para ela e lhe diz: Senhora, porque quisestes vós também sacrificar-vos sobre o Calvário? Não bastava, por ventura, para nossa redenção um Deus crucificado, que quisésseis ser crucificada também vós sua Mãe? Non sufficiebat Filii passio, nisi crucifigeretur et Mater? — Ah certamente bastava a morte de Jesus para salvar o mundo e ainda infinitos mundos; mas, pelo amor que nos tem nossa boa Mãe quis também concorrer para a nossa salvação, pelos merecimentos de suas dores, que ofereceu por nós no Calvário.
Por isso diz o Bem-aventurado Alberto Magno, que, assim como somos obrigados a Jesus pela Paixão que quis sofrer por nosso amor, assim também somos obrigados a Maria pelo martírio, que na morte do Filho quis espontaneamente padecer pela nossa salvação. — Acrescento espontaneamente, porque, como revelou o Anjo a Santa Brígida, esta nossa tão piedosa e benigna Mãe antes quis sofrer todas as penas do que ver as almas privadas da redenção e deixadas na antiga miséria.
A bem dizer, foi este o único alívio de Maria, no meio de sua grande dor pela paixão do Filho: o ver com a sua morte remido o mundo perdido e reconciliados com Deus os homens seus inimigos. Mas, infelizmente, esse único alívio da Santíssima Virgem foi-lhe amargurado pela previsão que, se a morte de Jesus havia de ser para muitos a causa de ressurreição e de vida, para muitos outros seria por própria culpa causa de maior ruína e de morte eterna: Ecce positus est hic in ruinam et in resurrectionem multorum in Israel (2) — “Eis que este está posto para ruína e para ressurreição de muitos em Israel”.
II. Tão grande amor de Maria em unir ao sacrifício da vida do Filho o de seu próprio coração, bem merece a nossa gratidão; e a nossa gratidão consista em meditarmos e nos compadecermos das suas dores. Mas disto exatamente queixou-se ela com Santa Brígida: “Minha filha”, disse-lhe, “quando considero os cristãos que vivem no mundo, para ver se há quem se compadeça de mim e se lembre de minhas dores, acho bem poucos, ao passo que a maior parte deles se esquecem por completo. Por isso quero que tu ao menos delas te lembres e nelas medites muitas vezes, e compadecendo-te de mim, procures, quanto for possível, imitar a minha resignação em padecê-las: Vide dolorem meum, et imitare quantum potes et dole” — Meu irmão, imaginemos que a divina Mãe nos fala da mesma maneira, particularmente nestes dias do carnaval, em que os pecadores renovam tantas vezes a crucifixão de Jesus e por conseguinte também as dores de Maria.
Ó minha dolorosa Mãe, vós tanto chorastes o vosso filho, morto pela minha salvação; mas que me aproveitarão as vossas lágrimas, se eu me condeno? Pelos merecimentos, pois, das vossas dores, alcançai-me uma verdadeira dor dos meus pecados, uma verdadeira emenda de vida, com uma perpétua e tenra compaixão da Paixão de Jesus e das vossas dores. Se Jesus e vós, sendo tão inocentes, tanto tendes padecido por mim, alcançai-me que eu, réu do inferno, padeça também alguma coisa por vosso amor.
Finalmente, ó minha Mãe, pela aflição que experimentastes, vendo diante de vossos olhos os vosso Filho, entre tantas penas, inclinar a cabeça e expirar sobre a Cruz, vos suplico que me alcanceis uma boa morte. Ah, advogada dos pecadores, não deixeis de assistir à minha alma aflita e combatida, na grande passagem que terá de fazer para a eternidade. E porque é fácil ter eu então perdido a fala e a voz para invocar o vosso nome e o de Jesus, em que ponho todas as minhas esperanças, rogo desde agora a vosso Filho, vosso Esposo e a vós, que me socorrais naquele último momento, e digo: † Jesus, Maria e José, expire a minha alma em paz em vossa companhia (3).
Referências: (1) Se entre a Epifania e a Septuagésima só houve três semanas, os devotos de Maria Santíssima poderão tomar hoje a meditação sobre Maria Santíssima modelo da esperança (2) Lc 2, 34 (3) Indulg. de 100 dias, cada vez
(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa Inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 259-262)
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Maria Santíssima, modelo de esperança
Mihi autem adhaerere Deo bonum est; ponere in Domino meo spem meam – “Para mim é bom unir-me a Deus; pôr no Senhor Deus a minha esperança” (Sl 72, 28)
Sumário. Se da fé nasce a esperança, Maria Santíssima, que teve uma fé singular, possuiu também uma esperança exímia. Disso deu contínuas provas em todo o curso de sua vida moral, porquanto viveu sempre em desapego completo de qualquer criatura e em inteiro abandono à divina Providência, que dela dispunha à vontade. Se quisermos ser filhos dignos de tão excelsa Mãe, esforcemo-nos por imitá-la, esperando tudo da bondade divina. E, depois de Deus, ponhamos a nossa confiança em Maria, que é chamada Mãe da santa esperança. I. Da fé nasce a esperança, porquanto para nenhum outro fim Deus nos fez conhecer pela fé a sua bondade e as suas promessas, senão para que depois pela esperança nos elevemos ao desejo de o possuir. Sendo, pois, certo que Maria teve a virtude de uma fé excelente, teve igualmente a virtude de uma excelente esperança, que a fazia dizer com Davi:
Mihi autem adhaerere Deo bonum est; ponere in Domino Deo spem meam ― “Para mim é bom unir-me a Deus; pôr no Senhor Deus a minha esperança”
E bem demonstrou a Santíssima Virgem quanto era grande esta sua confiança em Deus, quando pressentiu que seu esposo, por ignorar o modo de sua prodigiosa gravidez, estava agitado e com ideia de a deixar. Parecia então necessário que ela descobrisse a seu esposo o oculto mistério. Mas não, ela não quis manifestar a graça recebida; preferiu entregar-se à divina Providência, confiando, como diz Cornélio a Lapide, que Deus mesmo defenderia a sua inocência e reputação. ― Demonstrou, além disso, a confiança em Deus, quando, próxima ao parto, se viu expulsa em Belém, também dos hospícios dos pobres, e reduzida a dar à luz em uma gruta. A divina Mãe fez igualmente conhecer quanto confiava na Providência de Deus, quando, avisada por São José que devia fugir para o Egito, na mesma noite se pôs a caminho para tão longa viagem a um país estrangeiro e desconhecido, sem provisão, sem dinheiro, sem outro acompanhamento além do Menino Jesus e de seu pobre esposo.
Muito mais Maria demonstrou esta sua confiança, quando pediu ao Filho a graça do vinho para os esposos de Caná; porque, depois da resposta de Jesus Cristo, pela qual parecia claro que o pedido lhe seria recusado, ela confiada na divina bondade ordenou à gente da casa que fizessem o que lhes dissesse o Filho, visto que a graça era certa: Quodcunque dixerit vobis, facite (1). De fato, Jesus Cristo fez encher os vasos de água e depois a converteu em vinho.
II. Maria foi aquela fiel Esposa do divino Espírito, da qual se disse:
Quae est ista, quae ascendit de deserto, deliciis afluens, innixa super dilectum suum (2) ― “Quem é esta, que sobe do deserto, inundada de delícias, apoiada sobre o seu amado?”
Pois que ela, sempre toda desapegada dos afetos do mundo, que reputava um deserto, e por isso nada confiando nem nas criaturas nem nos próprios merecimentos, e apoiando-se toda na graça divina, se adiantou sempre no amor do seu Deus.
Se, pois, quisermos ser dignos filhos de Maria, aprendamos dela a confiar como se deve, principalmente no grande negócio da salvação eterna. Para esta, posto que seja necessária também a nossa cooperação, contudo, só de Deus devemos esperar a graça para a conseguir, desconfiando absolutamente das nossas próprias forças e dizendo cada um com o Apóstolo:
Omnia possum in eo qui me confortat (3) ― “Tudo posso naquele que me fortalece”
― Dignas de ponderação são a este respeito as exortações de São Francisco de Sales: “Em todas as vossas necessidades e empresas, ponde toda a vossa confiança em Deus, e persuadi-vos de que o êxito será sempre o que for melhor para vós. Quanto mais verdadeira e perfeita for a nossa confiança em Deus, tanto mais fará brilhar a sua providência sobre nós. Muitos há”, acrescenta o santo Doutor, “que aspiram à perfeição, e poucos são os que a ela chegam. Mas sabeis por quê? Porque não praticam a plena confiança no Senhor e o perfeito abandono à sua bondade paterna”.
À imitação dos santos, ponhamos toda a nossa esperança, depois de Deus, na Bem-aventurada Virgem, que no livro do Eclesiástico é chamada Mãe da santa esperança; e repitamos muitas vezes a saudação da Igreja Católica: Spes nostra salve! ― Esperança nossa, salve!
“Salve Rainha, Mãe de misericórdia; vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos os degradados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, Advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei. E depois deste desterro nos mostrai a Jesus, bendito fruto de vosso ventre. Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria.”
Referências: (1) Jo 2, 5 (2) Ct 8, 5 (3) Fl 4, 13
(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa Inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 205-208)
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