Devemos esperar tudo pelos merecimentos de Jesus Cristo

Devemos esperar tudo pelos merecimentos de Jesus Cristo

Devemos esperar tudo pelos merecimentos de Jesus Cristo

Proprio filio suo non pepercit, sed pro nobis omnibus tradidit illum – “(Deus) não poupou a seu próprio Filho, mas entregou-O por nós todos” (Rm 8, 32)

Sumário. A satisfação que o Filho de Deus ofereceu ao Pai Eterno é infinitamente maior do que a dívida que com os nossos pecados tínhamos contraído. Por isso não seria justo que perecesse o pecador que se arrepende de seus pecados e oferece a Deus os merecimentos do Redentor. Por outro lado, Jesus Cristo lá no céu intercede continuamente por nós e o Pai divino não pode negar nada a um Filho tão querido. Agradeçamos, pois, ao Senhor, e imploremos com confiança qualquer graça, valendo-nos sempre desses merecimentos infinitos.

I. Considera que, tendo-nos dado o Padre Eterno seu próprio Filho por medianeiro, por advogado junto a si, e por vítima em satisfação dos nossos pecados, não nos é mais lícito duvidar que não obtenhamos qualquer graça que pedirmos, valendo-nos da mediação de semelhante Redentor. Quomodo non etiam cum illo omnia nobis donavit? (1) Que é que Deus nos recusará, diz o Apóstolo, depois que não nos negou o próprio Filho?

Todas as nossas súplicas não merecem que o Senhor as atenda, ou somente para elas olhe, porquanto o que nós merecemos não é graça, senão castigo pelos nossos pecados. Digno, porém, de ser atendido é Jesus Cristo que intercede por nós e oferece a seu Pai todos os sofrimentos da sua vida, o seu sangue e a sua morte. O Pai não pode recusar nada a um Filho tão querido, que Lhe oferece um preço de valor infinito. Sendo Ele inocente, todo o preço que pagou à divina justiça é aplicado tão somente em satisfação de nossas dívidas e esta satisfação excede infinitamente os pecados dos homens. Não seria de justiça que viesse a perder-se um pecador que se arrepende dos pecados e oferece a Deus os merecimentos de Jesus Cristo, cujas satisfações foram super abundantes. Demos, pois, graças a Deus e esperemos tudo pelos merecimentos de Jesus Cristo.

II. Meu Deus e meu Pai, não posso mais desconfiar da vossa misericórdia; não posso temer que me recuseis o perdão de todas as faltas cometidas contra Vós, ou não me querais dar todas as graças precisas para minha salvação, visto que me destes vosso Filho, a fim de que Vo-lo ofereça por mim. É exatamente para me perdoar e fazer-me digno de vossas graças, que me destes Jesus Cristo e me ordenais que Vo-lo ofereça e pelos seus merecimentos espere de Vós a minha salvação. Sim, meu Deus, quero obedecer-Vos e Vos dou graças. Ofereço-Vos os merecimentos de vosso Filho e por eles espero a graça que remedeie a minha fraqueza e todos os danos que os meus pecados me causaram. Pesa-me, ó Bondade infinita, de Vos ter ofendido, amo-Vos sobre todas as coisas e de hoje em diante não quero amar senão a Vós. Esta minha promessa, porém, de nada servirá, se não me auxiliardes. Pelo amor de Jesus Cristo, dai-me a santa perseverança e o vosso amor; dai-me luz e força para em todas as coisas cumprir a vossa santa vontade. Confiado nos merecimentos de Jesus Cristo, espero que me atendereis.

— Maria, Mãe e esperança minha, rogo-vos também, pelo amor de Jesus Cristo, que me alcanceis estas graças. Minha Mãe, atendei-me.

Referências:

(1) Rm 8, 32

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa Inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 201-203)

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