Estudo

Alguns estudos

Por que a Igreja exige o celibato dos sacerdotes?

Por que a Igreja exige o celibato dos sacerdotes?

Sendo um outro Cristo, o sacerdote deve pertencer todo inteiro a Deus e a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Como sobe ao altar, a cada dia, para oferecer o Sacrifício do Amor divino, deve ele também oferecer seu coração a Deus, com um amor indiviso.

Uma razão suplementar é que o sacerdote deve estar à disposição de todas as almas, como pai e como irmão de todos: o que não seria possível, se devesse tomar conta de sua própria família.

O sacerdote católico assemelha-se, perfeitamente, pois, a Jesus Cristo, que, Ele mesmo, não foi casado e viveu, todo inteiro, no Amor de Seu Pai e das almas imortais.

Existem outras razões que requerem o celibato do sacerdote?

Pode-se destacar que Nosso Senhor, que era Virgem, quis que São José e Nossa Senhora, com quem viveu trinta anos, fossem ambos virgens; que Seu precursor, São João Batista, fosse virgem; que Seu discípulo bem-amado, São João, fosse também virgem.

Pode-se daí tirar a regra de que é preciso ser virgem para se aproximar, mais de perto, de Nosso Senhor. Ora, o sacerdote é o ministro da Santa Eucaristia.

O celibato não é um grande sacrifício para o sacerdote?

O celibato é, sem dúvida, um sacrifício; mas o sacrifício é a lei da vida natural (não se pode escolher nada, sem, por esse mesmo fato, renunciar a outra coisa) e, ainda mais, da vida e da fecundidade sobrenaturais.

Do mesmo modo que Cristo resgatou o mundo por Sua Paixão; assim, o sacerdote somente poderá fazer muito pela Igreja e pela salvação das almas, se viver uma vida de sacrifício.

Nossa época, que se inclina a ver, no amor humano e na sexualidade, as únicas alegrias da vida, tem, justamente, a maior necessidade do exemplo de sacerdotes e de religiosos que lhe lembrem os valores e os ideais superiores.

O celibato não é uma coerção antinatural e desumana?

Segundo o ensinamento do Novo Testamento, o celibato vivido por causa de Deus é um ideal elevado.

Cristo diz que, além dos que são incapazes de se casarem, há aqueles que se abstêm do casamento “em vista do Reino dos Céus” (Mt 19,12).

“Que aquele que puder compreender, compreenda!”.

O casamento não é, todavia, uma imagem da união da alma com Deus?

O casamento é uma imagem do amor que deve existir entre Deus (ou Cristo) e a alma. Mas é apenas uma imagem, e não a realidade. É por isso que o casamento é dissolvido pela morte.

No Céu, não haverá mais casamento (Mt 22,30). Todos viverão somente no amor de Deus, que é já, para as almas consagradas, o único amor.

O celibato é, pois, já uma antecipação do que será a vida na eternidade.

O casamento não responde, profundamente, às necessidades da natureza humana?

A natureza humana dá, também, ao homem, uma inteligência e uma vontade livre, que lhe permitem dominar suas paixões, e, em certas circunstâncias, combatê-las em prol de um ideal mais elevado.

O animal não o pode: age sempre segundo seus instintos. Mas o homem pode (e, frequentemente, deve) renunciar, em prol de um bem maior, à satisfação de suas paixões sensíveis. Se não o faz, rebaixa-se ao nível do bicho.

Por que não se encontra o celibato absoluto dos sacerdotes fora da Igreja Católica?

Quando jovens renunciam à felicidade de fundar um lar para se entregarem totalmente a Deus, dão uma bela prova da vitalidade da Igreja e do entusiasmo que a Fé pode comunicar.

Se as comunidades que se separaram da Igreja, rapidamente, abandonaram o celibato, é que elas não podiam comunicar essa força a seus aderentes.

A supressão do celibato não ajudaria a solucionar a falta de sacerdotes?

A supressão do celibato levaria, a curto prazo, talvez, a um certo aumento do número de ordenações; mas o mal não seria curado, no entanto: haver-se-ia somente capitulado diante deste.

Seriam, então, ordenados muitos que não seriam, verdadeiramente, chamados por Deus, ou que não teriam usado, suficientemente, os meios para responder ao Seu chamado.

É preciso, isto sim, perguntar-se por que, antigamente, havia homens prontos o bastante para fazer o sacrifício do celibato, enquanto que hoje já não é mais o caso.

O celibato não permanece, contudo, sendo uma barreira?

O celibato é uma barreira bem útil para aqueles que não são chamados. Sem o mesmo, muitos homens aspirariam ao sacerdócio por razões fúteis: um posto de trabalho estável, que goza de uma boa reputação; ascensão social (é o caso em vários países do Terceiro Mundo), etc.

Para o maior bem da Igreja e dos fiéis, essas pessoas são mantidas longe do sacerdócio, ao menos em grande parte, pela obrigação do celibato.

O celibato é de origem apostólica?

O celibato é de origem apostólica (é, ao menos, muito provável). Foi, por conseguinte, a regra, na Igreja, desde o início.

Homens casados puderam, nos primórdios da Igreja, virar sacerdotes e Bispos; mas deviam, depois de sua ordenação, se abster do casamento. Se podiam ainda coabitar com suas esposas, era apenas como irmão e irmã.

São Paulo não fala, explicitamente, da mulher do Bispo?

Quando São Paulo cita, dentre as qualidades requeridas para virar Bispo ou diácono, o fato de haver desposado apenas uma mulher (1Tm 3, 2; 3,12); isso não quer dizer que o diácono ou o Bispo podiam continuar a viver maritalmente, depois de sua ordenação.

Isso indica, ao contrário, que o fato de ter se casado de novo era considerado como o sinal de uma incapacidade de viver na continência.

Aquele que, após a morte de sua esposa, sente ainda a necessidade de um novo casamento, não parece capaz de viver no celibato.

Essa prescrição não pode ter outro sentido, pois, se o eclesiástico pudesse continuar a viver maritalmente, um segundo casamento não poderia ser um impedimento à ordenação.

Os Padres da Igreja abordaram a questão?

Um Padre da Igreja, Santo Epifânio de Salamina (315-403), testemunha:

“Os sacerdotes são escolhidos, primeiramente, dentre os homens virgens, ou senão, dentre os monges; mas, se, dentre os monges, não se encontrarem pessoas aptas a cumprir esse serviço, costumam-se escolher os sacerdotes, dentre aqueles que vivem, na continência, com sua esposa ou que, depois de um único casamento, ficaram viúvos.” [318].

Essa regra era observada por toda parte?

O mesmo Padre da Igreja se queixa de que essa regra não fosse observada por toda parte, e faz este comentário:

“Em vários lugares, os sacerdotes, os diáconos e os sub-diáconos ainda geram filhos. Respondo que não está conforme à regra; mas que isso acontece por causa da indolência dos homens”. [319]

As leis sobre o celibato eclesiástico não datam do século IV?

As primeiras leis explícitas que conhecemos sobre o celibato dos clérigos foram, com efeito, promulgadas no século IV.

É preciso, todavia, notar que não foram apresentadas como uma novidade; mas como uma retomada da antiga disciplina.

Os Padres do Concílio africano de 390 se referem, explicitamente, à Tradição apostólica, quando inculcam, de novo, a obrigação do celibato. [320]

Como explicar que alguns autores façam datar do século XII o celibato dos sacerdotes?

A afirmação, segundo a qual, o celibato seria uma invenção do século XII, contém apenas um elemento verdadeiro: o Concílio de Latrão II decidiu, em 1139, que os casamentos contraídos por clérigos que já tinham recebido as Ordens Maiores não seriam mais, somente proibidos; mas também, doravante, inválidos. (Antes, o casamento de um sacerdote ou de um diácono era gravemente pecaminoso; mas, entretanto, válido).

Por que os sacerdotes das Igrejas orientais católicas podem viver maritalmente?

A Igreja do Oriente, num Concílio realizado, no século VII, em Constantinopla (o Concílio de Trullo de 691), fez concessões à prática que já tinha se espalhado: permitiu, aos sacerdotes, continuar a usar de um casamento contraído antes da ordenação.

Esse Concílio somente conservou a antiga disciplina do celibato para os Bispos. Essa regra foi, depois, tolerada pelos Papas para os sacerdotes da Igreja Oriental que retornaram à unidade com Roma.

O uso oriental é, pois, apenas uma tolerância?

Esse uso oriental é só uma tolerância, e marca uma ruptura com o ideal primitivo. A Igreja do Oriente conservou, todavia, restos desse ideal: o diácono ou o sacerdote pode continuar a usar de um casamento contraído antes da sua ordenação; mas não pode contrair casamento.

Se sua esposa morre, deve, pois, observar o celibato. Os Bispos são escolhidos, na maior parte das vezes, dentre os monges, pois estes são sempre celibatários. Se, todavia, um homem casado virasse Bispo, deveria se separar de sua esposa.

Como os fiéis consideram esses sacerdotes casados?

Os fiéis da Igreja oriental consideram, muito frequentemente, os sacerdotes casados como inferiores aos sacerdotes-monges. Sentem mais ou menos que só o sacerdote celibatário realiza, perfeitamente, o ideal sacerdotal e é a este que preferem se confessar.

Notas:

[318] Expositio fidei 21; PG 42, 824.

[319] Adversus haereses, 54, 9; PG 41, 1024.

[320] Ver, a esse propósito, o excelente livro do padre Christian Cochini S.J., Origines apostoliques Du célibat sacerdotal, Paris-Namur, Lethielleux, 1981.

Catecismo Católico da Crise na Igreja. Pe. Mathias Gaudron.

Notas da imagem:

Ordenação sacerdotal no Seminário do Sagrado Coração de Jesus, em Zaitzkofen, Alemanha.

Foto retirada de: https://www.fsspx.com.br/

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