Meditação de 15 de março

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Festa de São Clemente Maria Hofbauer

Festa de São Clemente Maria Hofbauer

Quasi stella matutina in medio nebulae, et quasi luna plena in diebus suis lucet – “Brilha como a estrela da manhã no meio da névoa, e como a lua cheia nos dias de sua maior claridade” (Eclo 50,7)

Sumário. Consideremos as virtudes sublimes deste filho predileto de Santo Afonso. Ele tinha sempre a fé católica por seu único tesouro; firmíssima foi a sua esperança, e ardente a sua caridade, fecunda em obras santas. A estas virtudes teologais uniu o Santo as virtudes morais, de maneira que pode ser considerado modelo perfeito da perfeição cristã. Alegremo-nos com o Santo e agradeçamos a Deus em seu nome. Vendo-nos tão longe da sua perfeição, roguemos-lhe que nos alcance do Senhor a força para o imitarmos de hoje em diante, particularmente no seu amor para com Deus. I. Consideremos as virtudes sublimes deste filho predileto de Santo Afonso. Órfão de pai quando ainda criança, a mãe o levou para diante de uma imagem de Jesus Cristo, e:

“Meu filho”, disse, “este há de ser doravante teu pai; cuida sempre em trilhar o caminho que lhe agrada”

Estas palavras e exortações maternais caíram, qual semente fecunda, na tenra alma de Clemente, e começaram desde aquele dia a produzir frutos superiores a sua idade.

Depois de várias disposições admiráveis da Divina Providência, entrou na Congregação do Santíssimo Redentor, na qual, depois de fazer a sua profissão e de receber o sacerdócio, se tornou em breve um modelo de perfeição.

A Santa Fé Católica era-lhe o único tesouro apreciável e protestava que, se lhe fosse dado ver os mistérios, não abriria os olhos a fim de não perder o merecimento da fé.

“É verdade”, disse o Santo, “que sou pecador e todo desprovido de virtude, mas há uma coisa de que me ufano: de ser filho da Igreja Católica”

Firmíssima foi também a sua Esperança. Sempre temendo por si mesmo, e sem confiança nos meios humanos, esperava todos os bens de Deus só por meio da santa oração. Tinha por máxima que a oração é a chave dos tesouros celestiais e que por isso “se deve consagrar à oração todo o tempo não ocupado pelas obrigações do estado“.

A Caridade para com Deus e para com o próximo, da qual o coração de nosso Santo estava abrasado, foi tão grande que nem as perseguições mais ferozes conseguiram extingui-la. Alegrava-se no meio dos sofrimentos, e as mesmas dificuldades lhe duplicavam as forças. Sob o impulso de seu amor ardente, não poupou trabalhos para propagar a sua Congregação; e quais e quantos foram os trabalhos que empreendeu e levou a bom termo para glória de Deus! Foi, pois, bem merecido o elogio que dele fizeram os Sumos Pontífices Pio VI e Pio VII, dizendo que “o espírito de Santo Afonso passará para Clemente; que era um varão santo e verdadeiramente apostólico, ornamento do clero Vienense e sustentáculo da Igreja Católica“.

II. A prática das virtudes teologais uniu Clemente a das virtudes morais. Distinguiu-se pela Pobreza Religiosa, considerada por ele como seu rico tesouro. Quando tinha de lhe sofrer os efeitos, longe de se afligir, alegrava-se porque assim se tornavva mais semelhante a Jesus Cristo, pobre e necessitado.

– Distinguiu-se pela sua Castidade, que ele chamava a joia da vida sacerdotal e apostólica. No exterior do Santo refletia-se o candor de sua pureza interior; foi sempre grave e modesto no porte, sóbrio e comedido nas palavras.

– Distinguiu-se finalmente na Mortificação, tanto exterior dos sentidos como interior das paixões. À imitação dos santos usava disciplinas e cilícios, dormia numa cama dura e expunha-se a todos os rigores do tempo. Chegou a sofrer com semblante sereno, não só o desterro, os maus tratos, os cárceres, mas até os escarros de um ímpio, a quem pedia humildemente uma esmola para os seus pequeninos protegidos.

A fonte da qual o Santo tirava forças para praticar todas as virtudes de um modo tão heroico, foi a meditação contínua da paixão do Redentor, a visitação frequente de Jesus Sacramentado e a devoção singular a Maria Santíssima, cujo Rosário nunca largava das mãos. – Admiremos o Santo como modelo de perfeição, regozijemo-nos com ele, agradeçamos ao Senhor em nome do Santo os favores a ele concedidos, e vendo-nos tão diferentes dele, roguemos-lhe forças para que o imitemos.

“Ó Deus, que adotastes o bem-aventurado Clemente Maria com admirável vigor de fé e com a fortaleza de uma constância invencível, por seus merecimentos e exemplos, fazei-nos tão fortes na fé e fervorosos na caridade, que adquiramos as recompensas eternas” (1). Fazei-o pelo amor de Jesus e Maria.

Referências: (1) Oração Festiva

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa Inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 446-448)

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Terna compaixão de Jesus Cristo para com os pecadores

Terna compaixão de Jesus Cristo para com os pecadores

Segunda Meditação para o 4º Domingo da Quaresma

Misereor super turbam – “Tenho pena deste povo” (Mc 8, 2)

Sumário. O nosso amantíssimo Redentor, movido de compaixão para com os pecadores, baixou do céu para salvá-los da morte eterna, à custa do seu sangue. Jesus Cristo declarou que Ele era aquele bom Pastor que tinha vindo à terra para dar vida a suas ovelhas. Que maior sinal de amor podia dar aos homens o Filho de Deus? Voltemo-nos com confiança para Jesus Cristo, se porventura o temos abandonado.

I. Diz-nos o Evangelho de hoje que achando-se Jesus num monte com os seus discípulos e uma multidão de povo que O acompanhava, compadeceu-se daquele povo faminto. Sabendo que um moço tinha cinco pães de cevada e dois peixes, tomou-os em suas mãos, e tendo dado graças, mandou distribuí-los. Todos comeram e encheram-se doze cestos com os pedaços que sobejaram. Fez o Senhor este milagre, movido da grande compaixão que teve de tantos pobres; mas muito maior é a compaixão que tem dos pobres de alma, os pecadores.

Movido o nosso amantíssimo Redentor da sua grande compaixão para com os homens que tristemente viviam sob a escravidão do pecado, baixou do céu à terra para salvá-los da morte eterna à custa do seu sangue. Por isso cantou Zacarias, pai de São João Batista: Per viscera misericordiae Dei nostri… visitavit nos oriens ex alto (1) — “Pelas entranhas misericordiosas de nosso Deus, visitou-nos o Sol nascido do alto”.

Jesus Cristo mesmo declarou depois, que Ele era aquele bom Pastor que tinha vindo à terra dar a salvação às suas ovelhas, que somos nós: Ego veni, ut vitam habeant et abundantius habeant (2) — “Eu vim para que as ovelhas tenham vida e a tenham em abundância”. Isso quer dizer que Jesus Cristo veio não só para nos fazer recuperar a vida perdida da graça, mas também para nos dar outra mais abundante e melhor do que a que perdemos pelo pecado.

São Leão diz que Jesus Cristo nos proporcionou maiores bens com a sua morte do que o demônio nos tinha trazido males por meio do pecado. Também o Apóstolo o deu claramente a entender por estas palavras: Quanto mais abundou o pecado, tanto mais superabundou a graça (3). Jesus Cristo mesmo disse que, embora bastasse uma gota do seu sangue, uma simples súplica sua para remir o mundo, não bastava porém para manifestar seu amor pelos homens. Eu sou o bom Pastor, diz Ele, e o bom Pastor sacrifica a sua vida pelas suas ovelhas (4).

II. Que maior sinal de amor podia dar aos homens o Filho de Deus, do que dar a vida por nós, que somos suas ovelhas?

Ó amor imenso de nosso Deus! — exclama São Bernardo, para perdoar aos servos, nem o Pai perdoou ao Filho, nem o Filho perdoou a Si mesmo, mas satisfez com a sua morte à divina justiça, pelos pecados que nós tínhamos cometido.

Com efeito, Jesus Cristo não baixou à terra para condenar os pecadores, mas para livrá-los do inferno, sempre que queiram emendar-se. E quando os vê obstinados na sua perdição, compadecendo-se deles, diz-lhes pelo Profeta: Quare moriemini domus Israel? (5) — “Porque haveis de morrer, ó filhos de Israel?” Como se dissesse: Porque quereis morrer e ir para o inferno, se eu desci do céu para vos livrar da morte com o meu sangue? E depois acrescenta, pela boca do mesmo Profeta: Nolo mortem morientis:… revertimini et vivite (6) — “Não quero a morte do que morre; voltai e vivei”.

Quando os apóstolos São Tiago e São João, indignados pela afronta que os habitantes de Samaria fizeram a seu Mestre por não O quererem receber, disseram a Jesus: Senhor, quereis que mandemos que chova fogo do céu para punir a esses temerários? Jesus, que estava cheio de doçura para com aqueles que O desprezavam, respondeu-lhes: Não sabeis de que espírito deveis estar animados. O Filho do Homem não veio para perder os homens, mas para os salvar (6).

Meu doce Jesus, que reconhecimento Vos devo! Graças aos méritos do vosso sangue, nutro confiança de estar na vossa amizade. Se até hoje os perdi muitas vezes, não quero mais perder-Vos para o futuro. Vós mereceis todo o meu amor; não quero mais viver separado de Vós. Mas, meu Jesus, conheceis a minha fraqueza; dai-me a graça de Vos ser fiel até à morte e de recorrer a Vós na tentação. — Santíssima Virgem Maria, assisti-me, pois que sois a Mãe da santa perseverança; em vós ponho toda a minha esperança.

Referências:

(1) Lc 1, 78 (2) Jo 10, 10 (3) Rm 5, 20 (4) Jo 10, 11 (5) Ez 18, 31 (6) Ez 18, 32 (7) Lc 9, 56

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa Inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 357-359)

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A multidão faminta e as almas do purgatório

A multidão faminta e as almas do purgatório

Primeira Meditação para o 4º Domingo da Quaresma

Unde ememus panes ut manducent hi? – “Onde compraremos pães para que estes comam?” (Jo 6, 5)

Sumário. A tenra compaixão que moveu o Senhor a multiplicar os pães para dar de comer à multidão que o seguia, deve mover-nos a socorrer as almas do purgatório, que são muito mais numerosas e muito mais famintas de seu alimento espiritual, que é Deus. O meio principal de que devemos usar para lhes levar socorro é a santíssima Eucaristia. Em sufrágio dessas almas, visitemos frequentemente a Jesus sacramentado; aproximemo-nos da mesa da comunhão, e, se não podemos mandar celebrar missas, ouçamos ao menos todas as que as nossas ocupações nos permitam ouvir.

I. Refere o Evangelho que, estando Jesus assentado sobre um monte, levantou os olhos, e viu ao redor de si uma multidão de quase cinco mil pessoas, que O seguiam, porque viam os milagres que fazia sobre os enfermos. Em seguida, sabendo que um moço tinha cinco pães de cevada e dois peixes, tomou-os em suas mãos, e, tendo dado graças, os mandou distribuir à multidão. Não somente houve o bastante para todos se fartarem, mas com os pedaços que sobejaram, os apóstolos encheram doze cestos. Eis aí o grande milagre que Jesus Cristo fez por compaixão de tantos pobres corporalmente.

Ora, é justo, ou para dizer melhor, é necessário que tenhamos compaixão das almas de outra multidão muito mais numerosa e incomparavelmente mais faminta do seu alimento espiritual: devemos compadecer-nos das almas benditas do purgatório. — Pobres almas! São muitas as penas que padecem naquele cárcere de tormentos; porém, acima de tudo aflige-as a privação da dulcíssima presença de Deus, cuja beleza infinita já conhecem. Não há na linguagem humana palavras apropriadas para exprimir qual seja esta pena; mas ainda que possuíssemos as palavras adequadas, faltar-nos-ia a capacidade de compreendê-las, preocupados como estamos com as coisas terrestres.

Mas a pena que a privação de Deus traz consigo é bem compreendida pelas pobres almas que a padecem. Por isso levantam a sua voz lamentosa e pedem-nos que lhes saciemos a fome inconcebível de contemplarem quanto antes o objeto de seu amor: Miseremini mei, saltem vos, amici mei, quia manus Domini tetigit me (1) — “Compadecei-vos de mim, ao menos vós, que sois meus amigos, porque a mão do Senhor me feriu”.

II. O milagre da multiplicação dos pães, assim como se conclui do Evangelho, foi feito para provar a presença verdadeira de Jesus na Eucaristia; e mesmo, segundo observavam os doutores, foi uma figura da Mesa eucarística. Eis, pois, o meio eficacíssimo de que, à imitação do Redentor, devemos lançar mão para saciarmos a fome das almas benditas do purgatório. — Visitemos muitas vezes o divino Sacramento, comunguemos com frequência; sobretudo mandemos celebrar em alívio das almas o sacrifício incruento da missa, ou ao menos ouçamos para sufragá-las todas as missas que pudermos. “Cada missa que se celebra”, diz São Jerônimo, “faz sair várias almas do purgatório”. E São Gregório acrescenta: “Quem assiste devotamente à missa, alivia as almas dos fiéis defuntos e contribui para lhes serem perdoados completamente os pecados”.

Pelo que uma pessoa muito devota às almas do purgatório, cada vez que ouvia tocar a entrada para uma missa, afigurava-se ver as almas no meio das chamas e ouvir os seus gritos lastimosos e angustiados. “Então”, assim dizia, “por urgentes que sejam as minhas ocupações, não posso deixar de assistir ao divino sacrifício, nem tenho coragem de lhes dizer: Esperai, porque hoje falta-me o tempo para vos ajudar”. — Façamos do mesmo modo, e fiquemos certos de que aquelas santas prisioneiras saberão mostrar-se agradecidas. Além disso, virá o tempo em que, estando nós também no purgatório, nos medirão a nós com a medida que nós tivermos medido aos outros (2).

Ó dulcíssimo Jesus, pela compaixão que mostrastes para com as multidões famintas que Vos acompanhavam, tende piedade das almas do purgatório. Volvei também para mim os vosso olhos piedosos, “e fazei, ó Deus todo-poderoso, que na aflição pelas minhas iniquidades, respire com a consolação de vossa graça”(3). † Doce Coração de Maria, sêde minha salvação.

Referências:

(1) Jó 19, 21 (2) Mt 7, 2 (3) Or. Dom. curr.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa Inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 355-357)

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