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Quem negou que a Missa é um sacrifício?

Quem negou que a Missa é um sacrifício?

Durante mais de mil anos, ninguém ousou negar que Missa é um Sacrifício. Os católicos gozaram, pacificamente, dessa Verdade.

Só foi no século XII que algumas seitas começaram a atacá-la. Mas foi, sobretudo, Martinho Lutero e o protestantismo, que levaram numerosos cristãos a rejeitar aquele dogma.

Como Deus nos revelou que a Missa é um Sacrifício?

O fato de que a Missa seja um Sacrifício decorre, claramente, da Sagrada Escritura. No Antigo Testamento, Deus, por intermédio do profeta Malaquias, anunciava nestes termos um Sacrifício vindouro:

“Do nascer ao pôr-do-sol, Meu Nome é grande entre as nações; e, em toda parte, um Sacrifício de agradável odor é apresentado, em Meu Nome, como oblação pura” (Ml 1,11).

O que há de notável nessa profecia de Malaquias?

Os Judeus somente tinham o direito de oferecer sacrifícios em um único lugar: o Templo de Jerusalém. Ora, o profeta anuncia uma oblação pura, que será celebrada em todos os lugares do mundo. Desde a origem, os cristãos reconheceram aí o Sacrifício da Missa.

Há, no Antigo Testamento, outros anúncios do Sacrifício da Missa?

O Sacerdócio de Cristo é prefigurado, no Antigo Testamento, pelo de Melquisedec (São Paulo diz que Jesus Cristo é “Sacerdote segundo a ordem de Melquisedec”) [243].

Ora, Melquisedec somente é mencionado na Bíblia por ter oferecido um Sacrifício de pão e vinho (Gn 14,18).

É uma figura do Sacrifício da Missa, instituído por Nosso Senhor e cumprido sob as espécies do pão e do vinho.

Os Evangelhos falam da Missa como de um Sacrifício?

Quando da Instituição da Missa, na Quinta-Feira Santa, Cristo utilizou termos referindo-se a um Sacrifício:

“Meu Corpo entregue por vós” [244] – “Meu Sangue, Sangue da Nova Aliança, derramado por muitos para a remissão dos pecados”. [245]

Podem-se citar ainda outras passagens da Sagrada Escritura?

Na primeira carta aos Coríntios, São Paulo opõe “a mesa dos demônios” à “mesa do Senhor” (1Cor 10,18-21). Como a expressão “mesa dos demônios” designa os sacrifícios pagãos oferecidos aos ídolos, a expressão “mesa do Senhor” designa, pois, o Sacrifício cristão.

Do mesmo modo, a carta aos Hebreus afirma: “Nós temos um altar, do qual, não têm direito de comer, aqueles que permanecem no serviço da tenda [= o culto judaico]” (Hb 13, 10). Ora, um altar é feito, por definição, para oferecer um sacrifício.

O que dizem da Missa os primeiros Padres da Igreja?

Os mais antigos escritos eclesiásticos falam da Eucaristia como de um Sacrifício. Podem-se citar, entre muitos outros, a Didaché (cerca de 100 d.C), o Papa São Clemente ( + 101), São Cipriano de Cartago (+ 258).

O que a Didaché ensina?

A Didaché – um dos primeiros escritos cristãos – declara:

“Reuni-vos no Dia do Senhor, parti o pão e rendei graças depois terdes confessado vossos pecados, para que o vosso Sacrifício seja puro” [246]

O que disse o Papa São Clemente?

São Clemente de Roma (Papa de 92 a 101) escreveu:

“O Senhor prescreveu que os Sacrifícios e as ações litúrgicas sejam cumpridos em tempos e em horas precisas” [247]

Como São Cipriano de Cartago fala do Sacrifício da Missa?

São Cipriano de Cartago (+258) consagrou sua carta 63 ao Sacrifício da Missa.

Afirma, nesta, que Cristo ofereceu Seu Corpo e Seu Sangue em Sacrifício ao Pai (n.4); que ordenou celebrar esse Sacrifício em memória Dele (n.14) e que o sacerdote age como representante de Cristo (n.9).

Podeis citar mais um Padre da Igreja sobre o Sacrifício da Missa?

São Gregório Nazianzeno (+390) exorta assim um sacerdote:

“Não cesse, homem de Deus, de rezar e de interceder por mim, quando fizeres descer o Verbo por tua palavra; quando separares, de maneira incruenta, a Carne e o Sangue do Senhor, quando tu te servires da palavra [ as palavras da Consagração] como de um gládio”. [248]

O que se destaca nessa passagem de São Gregório Nazianzeno?

São Gregório Nazianzeno menciona, de modo muito claro, a imolação incruenta de Cristo, realizada pela separação de Seu Corpo e de Seu Sangue, por meio da dupla Consagração.

O que se pode concluir de todas essas passagens da Sagrada Escritura e dos Padres da Igreja?

As passagens citadas, e ainda muitas outras, manifestam, à evidência, que não se pode negar que a Missa seja essencialmente um Sacrifício, sem trair o ensinamento de Cristo.

Essa Verdade do Sacrifício da Missa é de uma grande importância?

Todas as Verdades reveladas por Nosso Senhor Jesus Cristo são importantes, e nenhuma pode ser, impunemente, negligenciada. Mas o Sacrifício da Missa está, verdadeiramente, no coração de toda a vida cristã. Um erro sobre este ponto teria consequências catastróficas.

Como o Sacrifício da Missa está no coração da vida cristã?

A religião judaica do Antigo Testamento estava já centrada sobre os sacrifícios oferecidos no Templo. Seria surpreendente, se esses numerosos sacrifícios não tivessem correspondência no Novo Testamento.

De fato, Nosso Senhor veio, essencialmente, para Se oferecer em Sacrifício a Seu Pai. Em nome de toda a humanidade, ofereceu esse Sacrifício perfeito de adoração, de ação de graças, de reparação pelo pecado e de impetração.

O essencial de nossa vida cristã deve ser nos unirmos, dia após dia, a esse Sacrifício. Ora, é precisamente pela Missa que o fazemos.

Não se pode, pois, conceber o Cristianismo sem a Missa?

Mesmo na ordem natural, o sacrifício é um elemento essencial ao culto devido a Deus. Todas as religiões antigas tinham seus sacrifícios (uma das provas da caducidade da religião judaica é precisamente o fato de que, desde o ano 70 d.C – destruição do Templo de Jerusalém – esta não pode mais cumprir seus ritos sacrificiais).

Na época moderna, os protestantes tentaram inventar um Cristianismo sem Missa: é uma desnaturação completa da Fé e da Moral cristãs, que levou, muito rapidamente, ao filantropismo utópico contemporâneo. Quando o homem cessa de oferecer sacrifícios a Deus, tende rápido a se tomar por Deus.

Não é sobretudo a Presença real de Nosso Senhor na Eucaristia que é negada pelos protestantes?

Lutero não negava uma certa presença real de Cristo no Sacramento da Eucaristia; mesmo se a entendesse de modo herético. Por outro lado, rejeitava o ensinamento do Sacrifício da Missa e proferia a esse propósito as mais grosseiras injúrias.

Notas:

[243] Hb 6,20.

[244] 1Cor 11, 24.

[245] Mt 26,28.

[246] Didaché, capítulo 14;RJ 8. Esse sacrifício é claramente designado como sendo o anunciado por Malaquias.

[247] São Clemente de Roma, primeira carta aos Coríntios, capítulo 14; RJ 19.

[248] São Gregório Nazianzeno, carta nº 171, ad Amphilochium; RJ 1019.

Catecismo Católico da Crise na Igreja. Pe. Mathias Gaudron.

Notas da imagem:

Papa Francisco diz que as intenções de Martinho Lutero não eram erradas.

"Creio que as intenções de Martinho Lutero não fossem erradas: era um reformador. Talvez alguns métodos não fossem justos, mas naquele tempo, se lermos por exemplo a história do Pastor (um luterano alemão que, ao ver a realidade daquele tempo, se converteu e fez católico), vemos que a Igreja não era propriamente um modelo a imitar: havia corrupção na Igreja, havia mundanidade, havia apego ao dinheiro e ao poder. E por isso ele protestou. Sendo inteligente, deu um passo em frente justificando por que motivo fazia isso. E hoje luteranos e católicos, com todos os protestantes, estamos de acordo sobre a doutrina da justificação: sobre este ponto tão importante, ele não errara. Elaborou um «remédio» para a Igreja, depois este remédio consolidou-se num estado de coisas, numa disciplina, num modo de crer, num modo de fazer, num modo litúrgico." (Papa Francisco)

Disponível em: http://www.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2016/june/documents/papa-francesco_20160626_armenia-conferenza-stampa.html

Há 500 anos, Martinho Lutero se revoltava contra a Igreja, arrastando consigo um terço da Europa – foi provavelmente a maior perda sofrida pela Igreja Católica durante sua história, depois do cisma do Oriente em 1054.

Assim ele privou milhões de almas dos meios necessários à salvação, afastando-as não de uma organização religiosa entre tantas, mas realmente da única Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, da qual ele negou o caráter sobrenatural e sua necessidade para a salvação.

Ele desfigurou completamente a fé, cuja qual ele rejeitou os dogmas fundamentais, que são o Santo Sacrifício da Missa, a presença real na Eucaristia, o sacerdócio, o papado, a graça e a justificação.

Na base de seu pensamento, que ainda hoje é a base do protestantismo em seu conjunto, há o “livre exame”. Este princípio equivale a negar a necessidade de uma autoridade sobrenatural e infalível que possa se impor aos julgamentos particulares e interromper os debates existentes entre aqueles que ela tem por missão guiar no caminho do céu.

Este princípio claramente reivindicado torna totalmente impossível o ato de fé sobrenatural, que repousa sobre a submissão da inteligência e da vontade à Verdade revelada por Deus e ensinada pela Igreja com autoridade.

O livre exame, definido como princípio, não torna somente inacessível a fé sobrenatural, que é o caminho da salvação (“quem não crer será condenado” – Mc.16,16), mas também torna impossível a unidade na Verdade. Dessa forma, estabeleceu como princípio a impossibilidade dos protestantes obterem tanto a salvação eterna como a unidade na Verdade.

E, de fato, a multiplicação de seitas protestantes não para de crescer desde o século XVI. Diante de um espetáculo tão desolador, quem não compreenderia os esforços empregados maternalmente pela verdadeira Igreja de Cristo em buscar a ovelha perdida? Quem não saudaria suas numerosas iniciativas apostólicas para libertar tantas almas aprisionadas neste princípio falacioso que lhes interdita o acesso à salvação eterna?

Esta preocupação em retornar à unidade da verdadeira fé e da verdadeira Igreja atravessa os séculos. Não é nada novo, basta considerar a oração da Sexta-feira Santa:

“Oremos pelos hereges e cismáticos, para que Deus, Nosso Senhor, os liberte de todos os erros e se digne reconduzi-los ao seio da Santa Madre Igreja Católica e Apostólica...”

Onipotente e eterno Deus, que salvais a todos os homens e não quereis que ninguém se perca; tende compaixão das tantas almas seduzidas pelos artifícios do demônio; a fim de que, os corações transviados abandonem toda a maldade herética e se arrependam, e voltem a participar de Sua verdade.”

Fonte: https://www.fsspx.com.br/carta-aos-amigos-e-benfeitores-no-87/

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