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O que é a Fraternidade Sacerdotal São Pio X?

O que é a Fraternidade Sacerdotal São Pio X?

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X é uma congregação de sacerdotes fundada por Monsenhor Marcel Lefebvre.

Erigida, oficialmente, na diocese de Fribourg, na Suíça, em 01 de novembro de 1970, pelo Bispo diocesano, Monsenhor François Charrière, a Fraternidade recebeu, em 18 de fevereiro de 1971, uma carta de elogio do Prefeito da Congregação para o Clero, em Roma, o Cardeal Wright.

A Fraternidade foi, pois, reconhecida pelas autoridades competentes; é uma obra da Igreja.

Qual é a extensão atual da Fraternidade Sacerdotal São Pio X?

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X conta, hoje (dados de 2007), com mais de 450 [*] sacerdotes atuando regularmente em 55 países, em todos os continentes - também com irmãos e seminaristas – e com a ajuda de duas congregações auxiliares de religiosas (irmãs da Fraternidade São Pio X e oblatas da Fraternidade São Pio X). Cerca de vinte congregações amigas trabalham com ela, com o mesmo objetivo.

Quais são essas congregações amigas que trabalham com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X?

Dentre as congregações amigas trabalhando com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, podem-se citar, na França: os beneditinos de Bellaigue; os capuchinhos de Morgon; os dominicanos de Avrillé; os religiosos da Fraternidade da Transfiguração, em Mérigny e os cooperadores de Cristo-Rei, em Caussade. Do lado feminino, podem se mencionar: as beneditinas de Lamairé; as clarissas de Morgon; as carmelitas de Eynesse; as religiosas dominicanas de Avrillé; as franciscanas de Lanorgard; as dominicanas professoras, das congregações de Fanjeaux e de Brignoles; as irmãs da Transfiguração (Mérigny); as pequenas servidoras de São João Batista (em Rafflay). – Numerosas comunidades tradicionais existem também fora da França.

Que fins persegue a Fraternidade Sacerdotal São Pio X?

O fim primeiro e principal da Fraternidade é a formação de bons sacerdotes e a santidade dos sacerdotes. Na crise atual da Fé, tem também a missão de conservar íntegra a Fé Católica.

Há um nexo entre esses dois fins?

Uma verdadeira reforma da Igreja só é possível através de uma reforma do sacerdócio. Apenas bons e santos sacerdotes poderão, de novo, acender, nos corações dos fiéis, o amor de Deus e o entusiasmo para a Fé.

É o estado catastrófico dos seminários oficiais que levou Monsenhor Lefebvre a fundar a Fraternidade.

Em quase todos os seminários oficiais, Verdades fundamentais da Fé são negadas e a formação espiritual é muito deficiente.

Por vezes mesmo, ensina-se a rebelião contra os ensinamentos da Igreja e se incita ao pecado.

A supressão da Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi válida?

Foi Monsenhor Pierre Mamie (sucessor de Monsenhor Charrière como Bispo de Fribourg) que assinou, em 06 de maio de 1975, o decreto de supressão da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, enquanto que Monsenhor Lefebvre tinha acabado de ter, em Roma, conversações com os Cardeais Garrone, Wright e Tabera.

Monsenhor sempre contestou a validade dessa supressão, tanto por razões de procedimento jurídico, quanto por razões de fundo (pois, foi, na realidade, por sua fidelidade à Fé Católica e à Missa tradicional, que a Fraternidade foi assim supressa).

Por que Monsenhor Lefebvre contestou o procedimento jurídico que levou à supressão da Fraternidade?

O Direito Canônico prevê que um Bispo não pode mais suprimir uma congregação religiosa (ou uma sociedade clerical de vida comum) uma vez que esta tenha sido erigida oficialmente na sua diocese. [399]

Ora, a Fraternidade São Pio X foi erigida, oficialmente, por Monsenhor Charrière, em 1970. Monsenhor Lefebvre considerava, pois, que o sucessor daquele não tinha mais o direito de a suprimir.

Somente Roma – e não o Bispo diocesano – podia fazê-lo.

Esse argumento jurídico é absolutamente decisivo?

Monsenhor Lefebvre sempre considerou esse argumento jurídico como decisivo – ainda mais porque o Vaticano nunca lho respondeu. [400]

Todavia, a resistência do Bispo não se fundava essencialmente sobre argúcias de procedimento jurídico; mas sobre razões de fundo, tocantes à Fé e à Moral.

Mesmo caso, pois, se admitisse que a supressão da Fraternidade Sacerdotal São Pio X fosse juridicamente lícita (alguns o afirmam hoje) [401], aquelas razões permanecem o que são e a supressão não se torna justa só por isso.

Pois um julgamento pode muito bem respeitar a formas exteriores do Direito, sendo, ao mesmo tempo, completamente injusto e imoral.

A supressão da Fraternidade Sacerdotal São Pio X pode ser tida como injusta e imoral?

A supressão da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é injusta e imoral, não apenas por causa das injustiças e das mentiras pelas quais foi obtida (os Bispos da França fizeram toda uma campanha contra o que chamavam “o seminário selvagem de Écône”, enquanto que este seminário está perfeitamente nos conformes!); mas, sobretudo, por causa da finalidade com a qual foi pronunciada: tratava-se de impor a Missa nova (ecumenista) e os erros de Vaticano II.

Era, para eles, necessário impedir que sacerdotes recebessem e transmitissem, a seu redor, a Missa e a teologia católicas.

Essa finalidade sendo totalmente ilegítima – e contrária ao bem comum da Igreja – a supressão de Écône o era também.

Notas:

[*] Dados desatualizados, de 2007. Chegou a 658 sacerdotes em junho de 2019. Disponível em: http://catolicosribeiraopreto.com/a-fsspx-chega-a-658-sacerdotes/

[399] O cânon 493 do Código de Direito Canônico de 1917 estabelece esta regra para as congregações religiosas (“supprimi nequit nisi a Sancta Sede”). O cânon 674 estende essa regra às sociedades de vida comum sem votos, de cujo gênero é a Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

[400] O Tribunal da Assinatura Apostólica recusou-se a examinar o recurso interposto por Monsenhor Lefebvre

[401] O debate se dá sobre o estatuto preciso sob o qual a Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi instituída em Fribourg (sociedade de vida comum ou simples pia unio). Ver sobre o assunto a biografia de Monsenhor Marcel Lefebvre por Monsenhor Tissier de Mallerais (Marcel Lefebvre, une vie, Étampes, Clovis, 2002, p.508) e, de outra parte, o artigo de Canonicus no Le Courrier de Rome (Si Si No No) nº286[476], p.3-6.

Catecismo Católico da Crise na Igreja. Pe. Mathias Gaudron.

Notas da imagem:

D. Bernard Tissier de Mallerais, bispo auxiliar da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, ordenou 2 seminaristas do Seminário do Sagrado Coração de Jesus, em Zaitzkofen, na Alemanha . Fonte: https://www.fsspx.com.br/fotos-das-ordenacoes-em-zaitzkofen-2017/

Notas do vídeo:

Padre Gregory Hesse, Canonista, Doutor em Teologia Tomística, amigo e secretário pessoal do Cardeal Stickler no Vaticano de 1986-1988 .

Pe. Hesse conheceu aproximadamente 45 Cardeais enquanto estudava e trabalhava em Roma por 15 anos. Possui um conhecimento amplo e substancial da Crise da Igreja .

Ele nasceu em Vienna, Áustria em 1952, tendo parentesco sanguíneo com a linhagem real dos Habsburgos. Foi ordenado em 21 de novembro de 1981 na basílica de São Pedro e conquistou Licenciatura e Doutorado em direito Canônico e Teologia pela Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino ( Angelicum) de Roma.

Após conhecer a Tradição e perceber a Crise na Igreja, afastou-se do Novus Ordo e aproximou-se da Fraternidade Sacerdotal São Pio X trabalhando para a mesma na Europa, traduzindo e gravando áudios das homilias de Dom Marcel Lefebvre para utilização dos seminaristas de Zaitzkofen sob o comando do Pe. Franz Schmidberger.

O padre Gregorius Henricus Laurentius Diego Dagobertus Hervinus Hesse (conhecido como Gregorius Hesse ou Gregory Hesse) moreu em 25 de janeiro de 2006 de um derrame fulminante decorrente de seu diabetes e hipertensão.

Pe. Hesse deixou muitas conferências e entrevistas em vídeo e áudio quem fez nos EUA demonstrando seu profundo conhecimento e Amor por Nosso senhor Jesus Cristo, por Maria Santíssima e pela Igreja.

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