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O que é a Fé e é lícita a interpretação pessoal?

O que é a Fé e é lícita a interpretação pessoal?

A Fé é uma virtude sobrenatural pela qual, apoiados sobre a autoridade de Deus mesmo; atraídos e ajudados por Sua Graça, tomamos por absolutamente verdadeiro tudo o que Ele revelou. [14]

A Fé pressupõe então uma revelação divina?

Sim, a Fé é a resposta do homem à Revelação de Deus.

Como Deus se revelou aos homens?

Deus falou aos homens por Moisés, pelos profetas e, sobretudo, pelo seu Filho Unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Quais são as verdades que o homem conhece graças à Revelação Divina?

Graças à Revelação, o homem conhece os atributos de Deus e sua essência trinitária; conhece também sua própria destinação eterna: a visão de Deus no Céu.

A Revelação lhe mostra, enfim, o caminho a seguir para chegar a esse fim: a observância dos Mandamentos de Deus e a recepção dos Sacramentos, que são os meios de salvação instituídos por Deus.

Por que a Fé é dita sobrenatural?

As Verdades Reveladas por Deus, que são o objeto da Fé, ultrapassam a capacidade natural da nossa inteligência. Então, não é possível, sem um socorro divino, que se chama Graça, aderir a elas.

Qual é o motivo que nos faz aderir às Verdades Reveladas por Deus?

O motivo da Fé é unicamente a Autoridade de Deus que Se revela. Cremos nas Verdades de Fé porque Deus as afirmou e não porque teríamos delas conhecimento por nós mesmos. Cremos, por exemplo, na Santíssima Trindade ou na Divindade de Jesus Cristo, não porque teríamos descoberto essas Verdades por nossa inteligência; mas porque Deus no-las revelou assim.

Como a Fé nos é comunicada?

Uma Fonte da Fé é a Sagrada Escritura ou Bíblia. Ela se divide em duas partes: o Antigo Testamento, que contém a Revelação de Deus ao povo judeu antes da vinda de Cristo; e o Novo Testamento, que transmite explicitamente a Revelação Cristã.

Em que a Sagrada Escritura se distingue de outros escritos religiosos?

A Sagrada Escritura é inspirada pelo Espírito Santo. Isso quer dizer que ela não é um simples escrito humano; mas que, por meio do autor humano, é Deus que é o autor principal. Ele guiou o homem, de modo misterioso, para redigi-La. Por essa razão, a Sagrada Escritura é, no sentido próprio, a Palavra de Deus.

A Sagrada Escritura é a única Fonte da Revelação?

Dizer que a Sagrada Escritura é a única Fonte da Revelação é um erro protestante. O ensinamento entregue oralmente aos Apóstolos, que se chama Tradição Apostólica, também é, ao lado da Sagrada Escritura, uma verdadeira Fonte da Revelação. [15]

Pode-se encontrar na Sagrada Escritura mesma a menção a uma outra Fonte da Revelação?

Nem tudo o que Jesus disse e ordenou encontra-se na Sagrada Escritura. A Sagrada Escritura mesma diz:

“Há ainda muitas outras coisas que Jesus fez; se quiséssemos contá-las em detalhes, creio que o mundo não poderia encerrar todos os volumes que seria preciso escrever” (Jo 21,25).

Nessa época, escrevia-se muito menos do que hoje; a Tradição oral muito recebeu um maior lugar.

Que outra razão pode-se invocar para mostrar a necessidade da Tradição?

É unicamente pela Tradição que conhecemos certas Verdades Reveladas por Deus, e, notadamente, quais livros pertencem à Sagrada Escritura. Há, com efeito, outros “evangelhos” e pretensas cartas dos Apóstolos, que não são autênticos escritos bíblicos.

Os protestantes, que querem reconhecer somente a Bíblia como Fonte da Fé, devem, ao menos nisso, referir-se à Tradição, pois é dela somente que eles recebem a Sagrada Escritura. [16]

Qual é a primeira das duas Fontes da revelação: a Sagrada Escritura ou a Tradição Apostólica?

A Tradição é a primeira das duas Fontes da Revelação: pela antiguidade (os Apóstolos começaram por pregar); pela plenitude (estando ela mesma na origem da Escritura, a Tradição contém todas as Verdades Reveladas por Deus) e pela suficiência (a Tradição não tem necessidade da Escritura para fundamentar sua autoridade divina; ao contrário, é ela mesma que dá a lista dos livros inspirados por Deus e que permite conhecer seu sentido autêntico).

Quem pode nos dizer com autoridade o que pertence à Revelação?

Somente o Magistério da Igreja, que reside principalmente no Papa, pode resolver as questões disputadas e dizer com certeza o que se deve crer e o que é erro. É a Pedro, com efeito – e, nele, a seus sucessores – que Cristo disse:

“Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18).

A Pedro, igualmente, deu a missão de confirmar seus irmãos na Fé:

“Rezei por ti, para que tua Fé não pereça; mas tu, uma vez convertido, confirma teus irmãos” (Lc 22,32).

Chama-se dogma uma doutrina cuja pertença à Revelação Divina foi definida pela Igreja.

A Sagrada Escritura diz alguma coisa sobre o modo como deve ser interpretada?

São Pedro, na segunda epístola:

“Antes de tudo, saibam-no: nenhuma profecia da Escritura é objeto de interpretação pessoal. Pois não foi por vontade humana que alguma profecia veio; mas incitados pelo Espírito Santo que uns homens falaram da parte de Deus” (2Pd 1,20-21).

Essa passagem manifesta, ao mesmo tempo, que a Sagrada Escritura é inspirada pelo Espírito Santo e que não pode interpretá-la cada um a seu bel prazer. É, no entanto, exatamente o contrário o que fazem os protestantes: cada um interpreta a Bíblia; e, naturalmente, cada um a compreende de modo diferente.

Notas:

[14] O Concílio de Trento ensina que a Fé é “uma virtude sobrenatural pela qual, atraídos e ajudados pela Graça de Deus, nós cremos verdadeiro o que Ele nos revelou, não porque essas coisas, consideradas à luz natural da nossa razão, impor-se-iam por si mesmas como verdadeiras; mas por causa da autoridade de Deus mesmo, que nos revela,e, que não pode enganar-Se, nem nos enganar” (DS 3008)

[15] O Concílio de Trento ensina que a Revelação está contida “dentro dos livros escritos (a Sagrada Escritura) e dentro das tradições não escritas que os Apóstolos receberam da boca de Cristo mesmo; ou que eles transmitiram, de mão em mão, depois que lhes foram ditadas pelo Espírito Santo; e que chegaram até nós “ (DS 1501). Este ensinamento é retomado pelo Concílio Vaticano I (DS 3006).

[16] Ver o artigo “Os erros de Lutero e o espírito do mundo atual” pelo padre Franz Schmidberger, em Le Sel de Terre nº 4, p. 15-17 (os editores).

Catecismo Católico da Crise na Igreja. Pe. Mathias Gaudron.

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