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Como o Concílio Vaticano II influenciou na crise da Igreja?

Como o Concílio Vaticano II influenciou na crise da Igreja?

As forças liberais e modernistas, que já minavam a Igreja, conseguiram colocar as mãos sobre o Concílio Vaticano II. Pode-se, então, dizer que Vaticano II foi a faísca que fez explodir uma crise que se preparava já de longa data na Igreja.

A quando podem se fazer remontar as origens desta crise?

São Pio X constatava já, na Encíclica Pascendi, que o modernismo não era mais um inimigo exterior à Igreja; mas que havia penetrado no interior, apesar de seus adeptos ainda esconderem suas verdadeiras intenções.

O Papa São Pio X não combateu vigorosamente esses modernistas?

São Pio X combateu o modernismo energicamente. Seus Sucessores até Pio XII fizeram o mesmo, com mais ou com menos vigor; mas não conseguiram verdadeiramente os vencer. A Encíclica Humani Generis de Pio XII, condenando o que se chamou “Nova Teologia” (em 1950), foi aceita exteriormente; mas, na realidade, foi desprezada por muitos.

Continuaram a se interessar nas teses condenadas, e, nas casas de formação, encorajavam-se os futuros padres a fazer o mesmo.

Pode-se dizer que Vaticano II foi uma revolução na Igreja?

Que o Concílio foi uma revolução na Igreja, alguns de seus defensores clamam-no, eles mesmos. Assim, o Cardeal Suenens fez um paralelo entre o Concílio e a Revolução Francesa, dizendo que o Vaticano II havia sido o 1789 na Igreja.

O padre Yves Congar, teólogo conciliar, comparou o Concílio à Revolução Bolchevique:

“A Igreja fez, pacificamente, sua Revolução de Outubro”. [74]

Como os liberais colocaram as mãos sobre o Concílio?

Graças ao apoio de João XXIII e de Paulo VI, as forças liberais e neomodernistas introduziram, nos textos do Concílio, um grande número de suas ideias. Antes do Concílio, a Comissão Preparatória havia preparado, com cuidado, esquemas que eram o eco da Fé da Igreja.

É sobre esses esquemas que a discussão e o voto deveriam ter sido feitos; mas eles foram rejeitados na primeira sessão do Concílio e substituídos por novos esquemas preparados pelos liberais.

Não houve defensores da Doutrina tradicional no Concílio?

Houve, no Concílio, um grupo de mais ou menos 250 a 270 Bispos decididos a defender a Tradição da Igreja. Acabaram por formar o Coetus Internationalis Patrum. Mas, contra, estava já constituído, e, perfeitamente organizado, um grupo de Cardeais e de Bispos liberais, que se chamou Aliança do Reno.

De onde vem esse nome de Aliança do Reno?

O nome de Aliança do Reno vem do fato de que os dirigentes desse grupo liberal eram, quase todos, Bispos de dioceses às margens do rio Reno.

Esse grupo inundou, a cada dia, o Concílio, com folhas datilografadas, nas quais se dizia aos Bispos em que sentido deviam votar. É por isso que um jornalista, o padre Ralph Wiltgen, pôde intitular seu livro que contava o Concílio, assim: O Reno se lança no Tibre.

Os inovadores eram majoritários?

Como toda revolução, Vaticano II não foi conduzido pela maioria, mas por uma minoria ativa e bem organizada. A maioria dos Bispos estava indecisa e bem assim pronta para seguir os conservadores.

Mas quando viram que os dirigentes da Aliança do Reno eram amigos pessoais do Papa e que alguns dentre estes (os Cardeais Döpfner, Lercaro e Suenens) tinham até sido nomeados moderadores do Concílio, eles os seguiram.

Os textos de Vaticano II, portanto, não são representativos do que pensava a maioria dos Bispos na abertura do Concílio?

Um teólogo do ala progressista, Hans Küng, exprimiu, um dia, sua alegria de que um sonho de uma pequena minoria havia se realizado no Concílio:

“Nenhum daqueles que vieram aqui para o Concílio voltará para sua casa igual ao que era antes. Pessoalmente, nunca teria esperado que os Bispos falassem de modo tão ousado e tão explícito na aula conciliar.” [75]

Quem é esse teólogo Hans Küng?

Hans Küng manifestou, desde o Concílio, a que espírito se filia. Além da infalibilidade pontifícia e da Divindade de Cristo, esse eclesiástico nega a maior parte dos dogmas cristãos, de tal maneira que mesmo Roma Conciliar teve que lhe retirar a autorização de lecionar.

Notas:

[74] Yves Congar, O.P. Le Concile au jour Le jour. Deuxième Session, Paris, 1964, p.215.

[75] Citado por Ralph Wiltgen, O Reno se lança no Tibre, Paris, Cèdre, 1982, p.59. (nota da tradução: o livro foi editado em Português pela editora Permanência)

Catecismo Católico da Crise na Igreja. Pe. Mathias Gaudron.

Notas da imagem:

Execução de 16 monjas carmelitas, vítimas da liberdade, igualdade e fraternidade da Revolução Francesa.

Através do Iluminismo, a frase "O homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre" pode ser encontrada no livro Extrait des sentiments de Jean Meslier, editado por Voltaire.

O inimigo mortal do homem não perde tempo. O Protestantismo arrancou meia Cristandade da Igreja. A Revolução Francesa e a democracia aniquilaram sua influência na esfera civil. Com o Concílio Vaticano II, chega finalmente ao seu coração. “Liberdade”, “igualdade” e “fraternidade”, ideal assumido pela Igreja sob a nova face de “liberdade religiosa”, “colegialidade” e “ecumenismo”.

"Não há salvação por meio do Islamismo. Não há Igreja budista no Céu... São coisas que podem parecer duras de ouvir, mas esta é a verdade. Não será dever de um católico julgar entre a fé que lhe ensinam hoje e a que foi ensinada durante vinte séculos de tradição da Igreja? Ora, eu acredito sinceramente que estamos tratando com uma falsificação da Igreja, e não com a Igreja católica. Por quê? Porque eles não ensinam mais a fé católica. Não defendem mais a fé católica. Eles arrastam a Igreja para algo diferente da Igreja Católica. A verdade e o erro não estão em pé de igualdade. Isso seria colocar Deus e o diabo em pé de igualdade, visto que o diabo é o pai da mentira, o pai do erro". (Arcebispo Marcel Lefebvre)

Vídeo complementar:


Notas do vídeo:

O Diálogo das Carmelitas. Parte da execução das monjas. Este filme conta a história do martírio de 16 monjas Carmelitas na Revolução Francesa.

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