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A fé pode mudar? A Igreja descobre novas Verdades?

A fé pode mudar? A Igreja descobre novas Verdades?

Para os modernistas, a Fé pode mudar, pois os dogmas só são a expressão de um sentimento e de uma necessidade religiosa. Devem, então, ser adaptados e formulados de maneira nova, logo que mudem os sentimentos e necessidades religiosas.

Ao contrário, se os dogmas exprimem de maneira infalível as Verdades de Fé, como ensina a Igreja, é evidente que não podem mudar, pois o que era verdadeiro ontem não pode ser falso hoje, e vice-versa.

Tanto quanto a verdade, a Fé verdadeira é imutável. É por isso que São Paulo escreve:

“Se nós mesmos ou um anjo vindo do céu vos anunciarem um outro evangelho diferente deste que vos temos ensinado, que seja anátema !” (Gl 1,8).
“Jesus Cristo, heri et hodie, ipse et in saecula – Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente” (Hb 13,8).

Não há um progresso na Fé?

Um progresso da doutrina de Fé é possível somente no sentido de que as Verdades de Fé são mais bem apreendidas e explicadas. Um tal desenvolvimento foi predito por Jesus Cristo à Sua Igreja, quando disse:

“O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á tudo e recordar-vos-á tudo o que Eu vos disse” (Jo 14,26).

O Espírito Santo não pode ensinar à Igreja novas Verdades?

A Revelação acabou desde a morte dos Apóstolos. [22] Desde então, o Espírito Santo não ensina novas Verdades, mas faz a Igreja entrar sempre mais profundamente na Verdade trazida pelo Cristo.

Verdades reveladas que, até uma época, não tiveram mais que um papel de segundo plano na vida da Igreja, podem, pois, passar ao primeiro plano em outra época.

As controvérsias que opuseram a Igreja aos hereges a forçaram também a expor de maneira sempre mais precisa e mais clara as Verdades de Fé – tornando explícitas Verdades até então implícitas – mas, sem nunca acrescentar nada ao Depósito Revelado aos Apóstolos.

Quais são as regras deste desenvolvimento da Fé?

O desenvolvimento da doutrina pode precisar o que foi ensinado no passado; mas jamais o contradizer, nem o modificar. Não pode haver oposição. Uma vez que um dogma foi definido, não pode tornar-se falso mais tarde ou tomar um sentido novo.

Quando define um novo dogma, a Igreja não descobre novas Verdades?

Quando a Igreja define um novo dogma, não descobre novas Verdades; mas explica e põe destaque de uma nova maneira sobre o que, no fundo, sempre foi crido; é sempre “a mesma crença, o mesmo sentido e o mesmo pensamento” [23].

O Concílio Vaticano I ensina claramente:

“O Espírito Santo não foi prometido aos Sucessores de Pedro para que eles façam conhecer sob sua revelação uma nova doutrina; mas para que, com Sua assistência, guardem santamente e exponham fielmente a Revelação transmitida pelos Apóstolos, quer dizer, o Depósito de Fé.” [24]

Várias religiões podem possuir a Verdade?

Do fato de que as diversas religiões se contradizem entre si sobre pontos fundamentais, conclui-se que não pode haver várias que sejam verdadeiras.

Uma só religião pode ser verdadeira, e é a Religião Católica. Deus Se revelou em Jesus Cristo, e não em Buda, nem em Maomé. Cristo somente fundou uma só Igreja, que deve comunicar aos homens Seu ensinamento e Sua Graça, até o fim do mundo.

A Fé no Deus trinitário, a Fé em Cristo e a Fé na Igreja formam, pois, uma unidade indivisível.

As diversas religiões se contradizem de verdade?

Ou Deus é trino, ou não. Se é Trino, todas as religiões não cristãs são falsas. Mas as confissões cristãs também se contradizem mutuamente: umas não creem na verdadeira divindade de Cristo; muitas não creem na presença real do Corpo e do Sangue de Cristo no Sacramento da Eucaristia, etc. Crenças tão opostas são incompatíveis.

Como podemos reconhecer que a Fé Católica é a verdadeira?

Cristo provou a veracidade de sua missão pelos milagres que operou. É por isso que diz:

“Não credes que Eu estou no Pai e que o Pai está em Mim? Creiam ao menos por causa de minhas obras” (Jo 14,11).

Os Apóstolos também se manifestaram por seus milagres:

“Eles pregavam em todo lugar, o Senhor agia neles e confirmava a Palavra pelos milagres que a acompanhavam” (Mc 16,20).

Os milagres são, pois, provas da missão divina da Igreja.

Notas:

[22] Entre as proposições modernistas condenadas em 1907 pelo Papa São Pio X figura o erro seguinte: “A Revelação, que é o objeto da Fé Católica, não foi terminada com os Apóstolos”.

[23] “In eodem scilicet dogmate, eodem sensu eademque sententia” Concílio Vaticano I DS 3020. O Concílio cita aqui São Vicente de Lérins, Communitorium primum 23, n.3; PL 50, 668ª.

[24] DS 3070

Catecismo Católico da Crise na Igreja. Pe. Mathias Gaudron.

Notas da ilustração: 

Papa João Paulo II participa do encontro inter-religioso (encontro ecumênico) pela paz em Assis, Itália, em 27 de outubro de 1986. Vídeo muito bem explicativo de Dom Fellay sobre o Encontro em Assis:

Deus deu recomendações a Moisés antes deste subir ao Monte Sinai:

"Não farás aliança com eles, nem com os seus deuses. Não habitem na tua terra para que te não façam pecar contra mim, servindo os seus deuses, o que certamente seria para ti um escândalo" (Êxodo, 23, 32-33)
"Erram e estão enganados, portanto os que possuem esta opinião: pervertendo o conceito da verdadeira religião, eles repudiam-na e gradualmente inclinam-se para o chamado Naturalismo e para o Ateísmo.
Daí segue-se claramente que quem concorda com os que pensam e empreendem tais coisas, afasta-se inteiramente da Religião divinamente revelada." (Papa Pio XI. Mortalium Animos, Nº 5, 6 e 7)

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