Tradição

Sois cristã: tendes, pois, uma fé que deve irradiar

Saia modesta entre flores

Esplêndido é o vosso papel, com a condição, todavia, de não figurardes entre as “flores artificiais”, mas sim entre as verdadeiras florinhas de Deus. As flores artificiais apenas encantam os olhos, não têm nenhum perfume; não vivem, são inertes. Vós, sede flores bem vivas e espalhai em torno de vós o bom odor de Jesus Cristo.

Isso, aliás, é fácil para quem tem uma fé viva e compreende as obrigações que ela impõe. O título de cristã acrescenta à donzela o que a luz do dia acrescenta à flor: fá-la resplandecer. Tirai Deus do coração da donzela, e ela ainda será bela, mas de uma beleza toda profana; não terá essa candura, esse brilho particular, essa virtude que emana dela e que desarma o vício e a impiedade, clamando-lhe: Alto lá! Jesus está aqui!

Em vez de levar ao bem, será ela singularmente perturbadora! Não tendo a Deus no coração, não pode comunicá-Lo! E no entanto, diz um grande orador, “a mulher deve dar a Deus a todos os que dela se aproximam”.

E vós, “Filha de Deus”, haveríeis de dizer que nada podeis fazer, e que não tendes de defender essa Religião que tão bem vos defendeu? Se ainda hoje o catolicismo precisa de vós, vós precisais dele!

O vosso papel não é ensinar, não é elevar vossa voz no meio do século, não! Mas é fazer passar a verdade ao coração, convertendo-a em amor.

Como diz Mons. Gerbet:

“A missão inspiradora atribuída à mulher é uma missão privada. Cumpre-se no santuário da sociedade doméstica, nas confidências, na efusão das almas, no seio da família, na amizade, no próprio infortúnio que provoca consolações, secretas como seus queixumes. A pregação da mulher será menos retumbante. A grande voz que anuncia a verdade através dos séculos compõe-se de duas vozes: a do homem, à qual pertencem os tons estridentes e maiores, a da mulher, que se exala em tons menores, velados, untuosos, cujo silêncio não deixaria à outra voz senão a rudeza da força.”

Deveis, pois, ser fiel a esse primeiro dever, de pregar a verdade fazendo-a amar. Mas deveis também defendê-la, pois sabeis como a atacam em toda a parte.

Dia virá, talvez, em que tereis de protegê-la não tanto em vós mesmas como na alma dos entes caros que Deus enviar ao vosso lar. Mulher, esposa, mãe, então é que devereis velar, é que devereis agir, falar, convencer.

Preparai-vos para essa nobre tarefa. Para isto, a educação dos tempos de paz já não basta; hoje em dia a luta está em toda a parte; menos do que nunca vos poderia convir ficar neutra!

Trecho do livro “Formação da donzela”. Padre J. Baeteman, 1947.

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