Modéstia

A modéstia do corpo

Mulher sentada com saia modesta

Para mortificar o corpo, comecemos por observar perfeitamente as regras da modéstia e urbanidade; nisto se encontra abundante matéria de mortificação. O princípio, que nos deve servir de regra, é o de São Paulo: Não sabeis que os vossos corpos são membros do Espírito Santo que reside em vós? Nescitis quoniam corpora vestra membra sunt Christi?… Membra vestra templum sunt Spiritus Sancti” (1 Cor 6, 15,19).

É mister, pois, respeitar o nosso corpo como um templo santo, como um membro de Cristo. Nada desses trajes mais ou menos indecentes, que são feitos senão para provocar a curiosidade e a volúpia. Cada qual traga o vestido reclamado pela sua condição, simples e modesto, mas sempre asseado e decente. Nada mais ponderado que os conselhos de São Francisco de Sales a este propósito.

“Sede asseada, Filotéia, e nada haja em vós destoante e mal posto… mas fugi o mais possível das vaidades e afetações, das curiosidades e loucuras. Propendei sempre, quanto for possível, para a parte da singeleza e modéstia, que sem dúvida é o maior adorno da formosura e a melhor desculpa da fealdade… As mulheres vãs fazem duvidar da sua castidade; pelo menos, se a têm, não transparece entre tantas superfluidades e bagatelas…” (Vie dévote, III. P., ch XXXIV).

São Luíz diz, numa palavra, “que cada qual se deve vestir conforme o seu estado, de sorte que as pessoas sisudas e os homens de bem não possam dizer: é de mais; nem os jovens: é de menos.”

Quanto aos religiosos e às religiosas, bem como aos eclesiásticos, todos estes têm, sobre a forma e matéria dos vestidos, regras a que se devem conformar. É inútil dizer que o mundanismo e afetação estariam completamente deslocados entre eles e não poderiam deixar de escandalizar os próprios mundanos.

A compostura do porte é igualmente uma excelente mortificação ao alcance de todos. Evitar com cuidado as posições moles e efeminadas, conservar o corpo direito sem violência e afetação, nem curvado nem inclinado para um lado ou outro; nem mudar com demasiada frequência de posição; não cruzar nem os pés nem as pernas; não se apoiar indolentemente na cadeira ou sobre o genuflexório; evitar os movimentos bruscos e os gestos desordenados: eis aqui, entre centenas de outros, meios de nos mortificarmos sem perigo para a saúde, sem atrair as atenções, os quais nos dão sobre o próprio corpo grandíssimo domínio.

Texto retirado do manual “A vida espiritual explicada e comentada”, pelo padre Adolph Tanquerey, edição de 2007

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