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Padre celebrando a Santa Missa

Silêncio na Santa Missa

Certa vez perguntaram ao Padre Pio: “O que é a Santa Missa?”. Ele respondeu: “É Jesus no Calvário, com Maria nossa Mãe a seu lado e João aos pés da Cruz, e os anjos em adoração. Choremos de amor e adoração nesta contemplação.” Ele disse isso porque entendia o verdadeiro significado da Santa Missa. Celebrava com dificuldade devido aos estigmas, mas fazia-o com tanto amor que a todos os presentes fazia sentir o céu, celebrações que chegavam a durar até duas horas de duração. Dizia São Padre Pio:

“O mundo pode existir sem o sol, mas nunca sem o Sacrifício da Missa.”

Pode-se ver aqui a maravilha do Sacrifício de Deus na Santa Missa. São Pio de Pietrelcina só celebrava a missa tridentina, no rito antigo, de sempre. Ele nunca celebrou a missa no rito da Novus Ordo.

Como confessor, Padre Pio chegava a atender os pecadores e a conferir-lhes a misericórdia de Deus, por às vezes 14 horas por dia. Ao longo de seu Ministério centenas de milhares de pessoas foram absolvidas. Foi consolador de Jesus Eucarístico e toda a sua vida foi ser um “humilde instrumento nas mãos de Jesus”. O demônio o atacava porque tirava inúmeras almas do Inferno através da Santa Missa, através de seus sacrifícios unidos aos de Jesus e através da confissão.

O rito antigo da Santa Missa realmente promove uma vida de oração e independente do rito, o silêncio durante a missa ensina as pessoas que elas devem rezar. Enquanto o rito romano tradicional é realizado, ou uma pessoa irá se perder em distrações ou irá rezar. Com o silêncio, o fiel católico se dá conta de que o recado é claro: “aproveite o silêncio para rezar, não fique distraído na missa”.

Se a Missa é a renovação do sacrifício do Calvário, fica impossível manter certos tipos de música, na renovação do sacrifício da cruz. Toda a noção de “missas-festinhas”, “missas-shows” cai por terra.

O Papa João Paulo II declarou que o ponto de referência teologal para a Missa continua sendo o Concílio de Trento. Sendo assim, fica difícil entender a questão da Missa totalmente em linguagem vulgar, ou seja, somente em português (João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, nº 9).

O próprio Concílio de Trento afirma, nos seus cânones sobre o Santo Sacrifício da Missa: “Se alguém disser que o rito da Igreja Romana que prescreve que parte do Cânon e as palavras da consagração se profiram em voz submissa, se deve condenar, ou que a Missa se deve celebrar somente em língua vulgar (…), seja anátema” (Concílio de Trento, Dz 956).

E o Papa João Paulo II cita a encíclica Mediator Dei do Papa Pio XII, que condenara a ideia, adotada pela reforma de 1969, que se voltasse a fazer o altar em forma de mesa, o que sugeria que a Missa é apenas um banquete e não um sacrifício. Na encíclica Ecclesia de Eucharistia, o Papa condena uma série de abusos que foram introduzidos na Missa, hoje em dia. Entre esses abusos o papa enumera:

  • O abandono do culto eucarístico;
  • A perda do sentido de sacrifício, na Missa, transformada em encontro amistoso;
  • Perda da noção da necessidade do sacerdote;
  • Abusos ecumênicos;
  • Ideia de que o padre, por sua criatividade, pode desrespeitar as rubricas impostas pela Igreja, quando quiser;
  • Falsa ideia de que quem celebra a Missa é a comunidade, e não o sacerdote;
  • Abusos ao dar a comunhão a pecadores públicos, como, por exemplo a pessoas amasiadas;
  • Abusos ao dar a comunhão a hereges;
  • Abusos em matéria arquitetônica, construindo igrejas que mais parecem salões de festa do que um templo sagrado;
  • Abusos em matéria musical, adotando músicas profanas, impróprias para acompanhar as cerimônias sagradas. Neste campo, o Papa volta a recomendar que se volte a adotar a música gregoriana, na Missa;
  • O abuso de ensinar que se pode dar a comunhão a quem sabe que está em pecado mortal, e sem ter se confessado; e
  • Abuso de realizar concelebrações com hereges.

A prática do silêncio tem efeitos profundos na vida espiritual dos católicos. O silêncio é necessário para subir até as alturas da oração. Este silêncio não é necessário para a oração vocal, mas o é para a oração mental e os outros graus de oração. Dizia o Papa São João Paulo II:

“No silêncio da oração se dá o encontro com Deus.”

É um fato que a oração mental e a oração em geral sofreram um colapso entre os leigos (e entre o clero, também) nos últimos quarenta anos. Muitos padres têm a opinião de que isso tem realmente a ver com o ritual da Missa. Atualmente, no rito promulgado pelo Papa Paulo VI, tudo gira em torno da oração vocal, e os aspectos coletivos da oração são pesadamente enfatizados. Isto levou as pessoas a crer que somente as formas de oração vocal e de orações coletivas têm um valor real. Consequentemente, as pessoas não rezam mais sozinhas e recolhidas.

A missa no rito antigo era celebrada com um profundo silêncio, orações em latim e cantos gregorianos. O padre ficava de costas para os fiéis porque todos ficavam voltados para Deus. Entretanto, a missa atualmente em muitas igrejas católicas é celebrada muitas vezes com cânticos que não são de adoração, utilizam-se instrumentos como bateria, guitarra e teclado. No momento da comunhão colocam-se músicas emotivas, sem o devido silêncio e com o mínimo tempo para se fazer a ação de graças.

É necessário que se volte a rezar a missa no rito tridentino, aí sim será tudo diferente.

Artigo de quinta-feira, 24 de agosto de 2017.

Tags: missa tridentina santa missa silêncio

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