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Entrai pela porta estreita da salvação

O pequeno número daqueles que são salvos

Se poucos dos que estão em lugares preeminentes na Igreja de Deus se salvam, o que vos acontecerá? Vede todos os estados, ambos os sexos, todas as condições: maridos, esposas, viúvos, raparigas, rapazes, soldados, comerciantes, artífices, ricos e pobres, nobres e plebeus. Que havemos de dizer de todas estas pessoas que vivem tão mal?

A seguinte narrativa de São Vicente Ferrer mostrar-vos-á o que podereis pensar sobre isto. Conta ele que um arcediago em Lyon deixou o seu cargo e retirou-se para um lugar deserto para fazer penitência, e morreu no mesmo dia e hora de São Bernardo. Depois da sua morte, ele apareceu ao seu Bispo e disse-lhe: “Sabei, Monsenhor, que à mesma hora em que eu morri, morreram também trinta e três mil pessoas. Deste número, Bernardo e eu subimos ao Céu sem demora, três foram para o Purgatório, e todas as outras caíram no Inferno.”

As nossas crônicas relatam um acontecimento ainda mais terrível. Um dos nossos irmãos, bem conhecido pela sua doutrina e santidade, estava a pregar na Alemanha. Representava ele a fealdade do pecado da impureza de um modo tão forte que uma mulher caiu ali morta de tristeza, diante de toda a gente. Depois, tendo voltado à vida, disse ela: “Quando eu fui apresentada diante do Tribunal de Deus, sessenta mil pessoas chegaram ao mesmo tempo, vindas de todas as partes do mundo; daquele número, três foram salvas, passando pelo Purgatório, e todas as restantes se condenaram.” Oh, abismos dos juízos de Deus! De trinta mil, só cinco se salvaram! E de sessenta mil, só três foram para o Céu! Vós, pecadores que me ouvis, em que categoria sereis vós contados?… O que me dizeis?… O que pensais?

Eu vejo quase todos vós a baixar a cabeça, cheios de assombro e horror. Mas deixemos de parte o nosso espanto e, em vez de nos lisonjearmos uns aos outros, tentemos retirar algum proveito do nosso medo. Não é verdade que há dois caminhos que levam ao Céu: a inocência e o arrependimento? Ora, se eu vos mostrar que há muito poucos que tomam um ou outro destes dois caminhos, concluireis, como pessoas racionais, que muito poucos se salvam. E para mencionar provas: em qual idade, emprego ou condição não achareis que o número dos perversos é cem vezes maior do que o dos bons, e de cada um se poderia dizer: “Os bons são tão raros e os maus são tão numerosos”?

Podemos dizer dos nossos tempos o que Salviano disse do tempo dele: é mais fácil de achar uma multidão inumerável de pecadores imersos em toda a sorte de iniquidades do que uns poucos de homens inocentes.

Quantos servidores são totalmente honestos e fiéis nos seus deveres? Quantos comerciantes são justos e equitativos no seu comércio; quantos artífices são exatos e verdadeiros; quantos vendedores são desinteressados e sinceros? Quantos homens das leis não esquecem a equidade? Quantos soldados não calcam aos pés a inocência; quantos senhores não retêm injustamente o salário daqueles que os servem, ou não procuram dominar os seus subordinados?

Por toda a parte, os bons são raros e os maus numerosos. Quem não sabe que hoje há tanta libertinagem entre os homens maduros, licenciosidade entre as moças jovens, vaidade entre as mulheres, voluptuosidade na nobreza, corrupção na classe média, dissolução no povo, descaramento entre os pobres, de tal maneira que se poderia dizer o mesmo que Davi disse dos tempos dele: “Todos, por igual, se afastaram do bem… não há nem um que pratique o bem, nem sequer um só.”

Ide às ruas e às praças, ao palácio e à casa, à cidade e ao campo, ao tribunal e às casas das leis, e até mesmo ao templo de Deus. Onde encontrareis a virtude? “Ai de nós!” clama Salviano, “exceto um número muito pequeno que foge do mal, o que é a assembleia de Cristãos senão um poço de vício?”

Tudo o que podemos encontrar por toda a parte é egoísmo, ambição, gula e luxúria. Não está a maior parte dos homens conspurcada pelo vício da impureza, e não tinha São João toda a razão ao dizer “O mundo inteiro está baseado na maldade”? E não sou eu quem vos diz isto; a razão obriga-vos a acreditar que, de entre aqueles que vivem tão mal, muito poucos se salvam.

Mas, dir-me-eis: Não pode a penitência reparar com proveito a falta de inocência? Eu admito que é verdade. Mas também sei que a penitência é tão difícil na prática, não tendo nós perdido assim tão completamente o mau hábito, e dela tão gravemente abusam os pecadores, que só isto deveria bastar para vos convencer de que muito poucos se salvam por este caminho. Oh, quão inclinado, estreito, cheio de silvas e horrível de ver e difícil de escalar ele é! Por onde quer que olhemos, só vemos vestígios de sangue e coisas que recordam tristes memórias. Muitos enfraquecem só ao vê-lo. Muitos retiram-se mesmo no começo. Muitos caem de cansaço a meio caminho, e muitos infelizes desistem no fim. E são tão poucos os que perseveram até à morte! Diz Santo Ambrósio que é mais fácil encontrar pessoas que tenham conservado a sua inocência do que achar alguém que tenha feito a penitência necessária.

São Leonardo de Porto Mauricio. Retirado do livro “O pequeno número daqueles que são salvos“.

Artigo de terça-feira, 12 de setembro de 2017.

Tags: inferno salvação

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